Em uma revelação que expõe um dos programas mais secretos do mundo, a Coreia do Norte mantém uma estratégia sistemática para formar hackers desde a infância. De acordo com informações publicadas pelo jornal South China Morning Post, o regime norte-coreano recruta anualmente os duzentos alunos mais brilhantes do ensino fundamental para estudarem engenharia da computação, iniciando um processo que pode transformar essas crianças em verdadeiras armas digitais.
As informações foram conhecidas através de Kim Heung-kwang, um desertor que atuava como instrutor de hackers antes de escapar para a Coreia do Sul em 2004, junto com outros dois ex-funcionários da área de tecnologia. Segundo eles, esses jovens representam uma das armas secretas de Kim Jong-un. O recrutamento começa por volta dos onze anos de idade, quando as crianças são identificadas por sua capacidade intelectual excepcional. Posteriormente, aos dezessete anos, ocorre uma nova triagem, e os estudantes com melhor desempenho são enviados às principais universidades do país.
Após essa formação acadêmica, apenas uma pequena parcela é selecionada para integrar a unidade cibernética das Forças Armadas norte-coreanas. Nesses centros de treinamento, eles aprofundam conhecimentos em áreas como protocolos de moedas digitais, engenharia reversa de dispositivos e outras disciplinas especializadas. Paralelamente, aqueles que não seguem a carreira militar são preparados para desenvolver programas e aplicativos para empresas ocidentais por meio de trabalhos remotos, outra vertente da estratégia do regime.
O programa oferece recompensas significativas aos selecionados: apartamentos luxuosos em Pyongyang, viagens a países aliados como a China, participação de até trinta por cento dos lucros obtidos com os ataques cibernéticos e até mesmo a possibilidade de casamento com famílias da elite. Dentro do país, esses indivíduos são tratados como cientistas ou pesquisadores. No entanto, a rotina é exaustiva, com metas rigorosas e horários inflexíveis.
O alcance das operações é impressionante. Estima-se que cerca de oito mil e quatrocentas pessoas estejam envolvidas nesse departamento cibernético. Os ataques atribuídos aos hackers norte-coreanos incluem roubos milionários contra diversas plataformas de exchange de moedas digitais, totalizando quantias bilionárias. Os Estados Unidos acusam o regime de utilizar esses fundos para financiar seu programa nuclear armamentista.
O que torna esses ciberguerreiros particularmente preocupantes é sua permanência quase inabalável. Enquanto hackers de outros países frequentemente enfrentam prisão ou abandonam as atividades, os norte-coreanos continuam operando sem interrupção. A blindagem proporcionada pelo próprio país torna praticamente impossível qualquer ação judicial contra eles. Recentemente, até mesmo a empresa Google publicou um relatório alertando sobre a expansão desses agentes pelo mundo, o que mantém autoridades e empresas de todo o planeta em estado de alerta.
Fonte: Livecoins