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A Caça às Mais Poderosas do Vale do Silício: Por Que Ainda Não Surgiu uma Mulher como Elon?

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Numa noite recente num igreja requalificada em São Francisco, Mira Murati tentava falar. Homem e mulheres em trajes de gala circulavam entre mesas fartas enquanto um coquetel batizado de "Zero a Um" era servido aos convidados. Murati, fundadora de um laboratório de inteligência artificial avaliado em 12 bilhões de dólares, discursava para mais de 350 pessoas sobre revoluções históricas. O problema? Ninguém parecia escutar. A entrevista pediu várias vezes que os presentes calassem a boca. A cena ilustra um paradoxo: mulheres ocupam cargos decisivos no universo tecnológico, mas raramente conquistam a adoração pública que seus colegas homens conseguem.

Nos últimos meses, esta jornalista investigou quem são as mulheres mais poderosas do Vale do Silício. A resposta revela muito sobre a indústria. Quando questionados sobre o homem mais poderoso da tecnologia, muitos respondem imediatamente "Elon", "Jensen" ou "Sam". Mas quando a pergunta envolve mulheres, o silêncio se estende. "Gwynne?" "Lisa?" "Daniela, talvez?" As hesitações são constantes.

Ruth Porat, presidente do Google, e Dina Powell, presidente da Meta, são frequentemente citadas. Executivas como Lisa Su, da AMD, e Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, também aparecem nas listas. Shotwell transformou a empresa aeroespacial num negócio avaliado em 800 bilhões de dólares antes de sua abertura de capital. Ainda assim, quando mencionada, muitos perguntam "Gwynne quem?" Anne Wojcicki, fundadora do 23andMe, prefiere manter-se longe das redes sociais. "Gwynne Shotwell é poderosa porque lidera uma empresa incrível, mas muitas pessoas nem sabem quem ela é", defendeu Wojcicki.

O investimento de risco permanece dominado por homens. Dados da plataforma PitchBook mostram que startups fundadas por mulheres captaram 73,6 bilhões de dólares em 2025, um recorde que representa 27,7% do total investido nos Estados Unidos. Em 2022, empresas únicamente fundadas por mulheres receberam apenas 2% do capital deventure capital. A industria é configurada para favorecer founders exageradamente confiantes, geralmente homens, numa dinâmica que uma executiva anônima do setor descreveu como um "jogo de testosterona".

Daniela Amodei, presidente da Anthropic, empresa de inteligência artificial avaliada em quase 1 trilhão de dólares, representa um caso interessante. Seu irmão Dario é o rosto público da companhia, conhecido por seus escritos filosóficos sobre inteligência artificial. Já Daniela comanda as operações diárias. Todos os executivos seniores reportam a ela. Quando questionada sobre divisão de trabalho, Amodei declarou: "Dario e eu comandamos a empresa juntos. Todos que conhecem bem a empresa sabem que é um barco comandado por duas pessoas." A Anthropic mantém diversas mulheres em posições de liderança, desde chefia de produtos até engenharia de plataforma.

O cenário político também molda o poder tecnológico. Executivos agora fazem pilgrinagens regulares a Washington parainfluenciar decisões governamentais. Sarah Guo, fundadora de um fundo de investimentos em inteligência artificial com mais de 330 milhões de dólares, reconheceu que visitou a capital americana mais nos últimos três anos do que na década anterior. "Não posso fazer o governo americano fazer nada. Mas posso fazer perguntas e influenciar quando faz sentido para mim", declarou.

O conceito de poder na indústria tecnológica abrange múltiplas dimensões: financeira, intelectual, política e cultural. Enquanto escritoras como Sheryl Sandberg tentaram empoderar mulheres através de manifestos como "Lean In", o resultado foram redes de apoio feminino, mas também uma onda de backlash. A era de hashtags e círculos de discussão passou. Agora, muitas mulheres preferem focar em resultados concretos em vez de debates sobre identidade. Sarah Guo foi direta ao afirmar: "Todo o problema da última era da tecnologia foi transformar mulheres em algo especial. Isso fez uma geração tratar uma classe inteira de pessoas como irrelevante."

Timnit Gebru, pesquisadora de ética em inteligência artificial, ofereceu uma perspectiva dura. "Quão bem-sucedidas mulheres são em inteligência artificial não é minha medida de poder ou sucesso para mulheres. Por que mulheres teriam que se juntar às coisas terríveis que homens estão fazendo? Elas estão acelerando danos." Enquanto isso, executivas como Lisa Su, Mary Barra e Michelle Zatlyn continuam construindo imperios tecnológicos, mostrando que o poder feminino na inovação existe, mesmo quando não recebe a mesma cobertura midiática que seus colegas homens.

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