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Advogado brasileiro revela como atua no mercado de criptoativos após invasão à rede Liquid: ‘Confiança nunca mais será recuperada’

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Crédito Foto Felipe Ojeda Brasileiro que movimenta Depix todo dia: "nunca mais a Liquid recupera a confiança do mercado" — Fonte: Livecoins
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O portal Livecoins ouviu Felipe Ojeda, operador ativo da sidechain do Bitcoin chamada Liquid, para compreender as consequências do mais recente ataque cibernético que atingiu a infraestrutura. Durante a conversa, o brasileiro detalhou sua visão sobre o incidente que resultou no roubo de 4 mil unidades de bitcoin utilizadas como garantia para tokens emitidos na rede.

Ojeda, que é advogado no território nacional, presidente da Comissão de Criptoativos da Ordem dos Advogados do Brasil de São Caetano do Sul desde 2018 e sócio da Moshe Internacional, classificou o acontecimento como uma falha de segurança grave. Segundo ele, a Blockstream, empresa responsável pelo desenvolvimento da arquitetura e os membros da federação que administram a Liquid, precisam explicar as deficiências técnicas, operacionais e de governança que tornaram possível tal invasão.

Os invasores acabaram devolvendo 3.400 bitcoins à Blockstream, mas aproximadamente 600 unidades permanecem em poder dos hackers. Na avaliação do brasileiro, a Liquid transmitia credibilidade a uma parcela do mercado justamente por ser uma carteira multisig custodiada por participantes considerados confiáveis. "A Liquid funcionava como uma rede complementar ao Bitcoin onde era possível criar tokens e movimentá-los junto ao Bitcoin de forma rápida e segura, sem enfrentar a volatilidade cambial de outras moedas", explicou Ojeda.

Ao ser questionado sobre o atual cenário da Liquid, Ojeda afirmou que utilizava a plataforma principalmente como via de passagem para transações, mantendo valores baixos apenas suficientes para cobrir taxas. Ele destacou que ativos como tokens lastreados em dólar, o DePix e tokens de reais mantidos na Liquid permanecem protegidos, uma vez que o comprometimento ocorreu especificamente no token nativo da rede e em sua paridade com o Bitcoin.

Sobre a devolução dos fundos, o advogado explicou que um invasor jamais está certo ao reter valores roubados, mas isso não exime a Blockstream de sua responsabilidade. "A Blockstream tenta fazer sua parte, porém a falha primária foi dela. Seu dever atual é impedir que essa vulnerabilidade cause novos danos aos usuários", pontuou. Para Ojeda, nas circunstâncias presentes, o acordo proposto representa uma solução razoável, embora ele acredite que a Liquid jamais reconquistará a credibilidade do mercado.

Ojeda também comentou sobre o DePix, ativo que representa o real brasileiro e corresponde a quase metade do volume circulante na rede Liquid. O advogado possui um site e robôs na plataforma de mensagens Telegram que intermediam a comercialização do DePix por meio de programação da própria emissora, chamada Eulen. Ele esclareceu que a empresa não classifica o DePix como moeda estável, mas sim como criptoativo representativo do real, originalmente emitido na Liquid e agora também disponível na rede Spark.

Segundo Ojeda, a solução DePix oferece vantagens significativas, pois todas as etapas seguem a legislação vigente. A emissora é uma empresa internacional, enquanto a instituição bancária que recebe o Pix reporta as operações aos órgãos fiscalizadores conforme as normas estabelecidas. Usuários que mantêm seus recursos em DePix não precisam declarar lucros, uma vez que não há ganho de capital. A obrigação de declaração surge apenas em caso de conversão para outras criptomoedas.

"O sucesso do DePix não resulta de um código superior ou produto excepcional, mas de uma demanda genuína por liberdade, ainda que dentro da moeda brasileira", afirmou o advogado. Ele comparou a situação de um vendedor informal que comercializa 30 mil reais e fatia cerca de 600 reais de lucro, enfrentando riscos legais, com um intermediário que recebe a mesma quantia em comissões por intermédio de uma empresa regulamentada que emite notas fiscais e cumpre todas as obrigações legais.

A Blockstream já declarou que pretende responsabilizar criminalmente os invasores pelos 600 bitcoins ainda não recuperados e estuda acionar as autoridades policiais para tentar recuperar os valores desviados.

Fonte: Livecoins

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