Um experimento conduzido pela revista Wired revelou que o agente de inteligência artificial Muse, desenvolvido pela Meta, é capaz de produzir conteúdo sexual explícito quando solicitado por usuários adultos. A empresa respondeu às descobertas afirmando que a geração desse tipo de material está dentro das diretrizes permitidas e representa "comportamento adulto legal".
O Muse foi lançado recentemente e rapidamente conquistou milhões de usuários em poucas semanas. A ferramenta é projetada para auxiliar em tarefas cotidianas, como responder e-mails e organizar calendários. No entanto, durante os testes realizados pela publicação, o agente demonstrou capacidade de descrever cenários sexuais detalhados, incluindo práticas explícitas e linguagem vulgar, tudo em resposta a comandos básicos.
A Meta esclareceu que o Muse é um aplicativo destinado a pessoas com 18 anos ou mais, que podem optar por manter conversas adultas em um ambiente virtual privado e seguro. A empresa defendeu que a ferramenta foi criada para ajudar usuários a realizar tarefas e não bloqueia comportamentos legais entre adultos.
Especialistas em privacidade e defesa do consumidor manifestaram preocupação com a decisão da Meta. Ben Winters, diretor de inteligência artificial e privacidade na Consumer Federation of America, criticou a postura da empresa, afirmando que ela demonstra "negligência" com a segurança dos usuários e segue uma estratégia priorizar dependência e engajamento em vez de proteção.
Calli Schroeder, conselheira sênior do Electronic Privacy Information Center, alertou para riscos de segurança. Segundo ela, usuários que interagem com o Muse de forma explícita podem se tornar alvos de hackers, que poderiam utilizar conversas íntimas com a ferramenta para constranger ou extorquir pessoas.
A abordagem da Meta contrasta com a de outras empresas de tecnologia. O agente Dots, lançado pela OpenAI, recusou explicitamente tentativas de produzir conteúdo sexual. Da mesma forma, o Grok Bot, desenvolvido pela xAI, desvia conversas sobre o tema para outras atividades.
O sistema do Muse inclui diretrizes que reconhecem a "autonomia sexual dos adultos" e consideram conteúdo sexual adulto como "expressão legítima" e "trabalho criativo lícito".
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