A empresa de inteligência artificial Anthropic iniciou a localização dos preços do assistente virtual Claude para o mercado indiano, marcando um movimento estratégico para consolidar sua presença no país que representa seu maior mercado fora dos Estados Unidos. A adoção de valores em rúpia indiana começou a ser exibida para alguns usuários no site e nos aplicativos móveis da plataforma.
Apesar do avanço na precificação local, a Anthropic ainda não habilitou pagamentos por meio do Unified Payments Interface (UPI), o sistema de pagamentos instantâneos mais utilizado na Índia. Os consumidores continuam dependentes de cartões de crédito ou das sistemas de cobrança das lojas de aplicativos da Apple e do Google. Essa limitação contrasta com a estratégia da OpenAI, que lançou preços em rúpia indiana para o ChatGPT em agosto do ano passado com suporte ao UPI.
A demanda por assinaturas denominadas em moeda local era uma reivindicação antiga dos usuários indianos do Claude. A cobrança em dólares e a necessidade de conversão de moeda criavam barreiras significativas para o acesso ao serviço. Essa situação tornava ainda mais urgente a adaptação aos hábitos locais de consumo digital.
O significado dessa mudança fica evidente ao analisar os números: a Índia responde por 5,8% de todo o uso global do Claude, tornando-se o segundo maior mercado da plataforma, atrás apenas dos Estados Unidos. Essa posição estratégica justifica os investimentos da empresa no país.
No site do Claude destinado ao mercado indiano, a Anthropic oferece o plano Claude Pro por 2.000 rúpias mensais (aproximadamente 21 dólares), quando cobrado anualmente. O valor é superior aos 17 dólares cobrados nos Estados Unidos. O plano Claude Max começa em 11.999 rúpias mensais (cerca de 125 dólares), contra 100 dólares no mercado americano. As assinaturas Team custam 2.399 rúpias por assento mensal (aproximadamente 25 dólares), comparado a 20 dólares nos EUA. Todos os valores incluem impostos locais.
É importante notar que os preços nos aplicativos móveis podem variar ligeramente em relação aos listados no site. Essa diferença ocorre devido às políticas específicas de cobrança das plataformas de distribuição de aplicativos.
A precificação em rúpia surge em meio a uma expansão mais ampla da Anthropic no território indiano. A empresa abriu um escritório em Bengaluru em fevereiro, após anunciar a iniciativa em outubro do ano anterior. Em janeiro, a companhia contratou Irina Ghose, ex-diretora gerente da Microsoft Índia, para liderar os negócios no país.
Nos últimos meses, a Anthropic também estabeleceu parcerias com as gigantes de serviços de tecnologia da informação Infosys e Tata Consultancy Services, buscando ampliar a adoção de soluções de IA corporativa. Contudo, essa expansão enfrentou obstáculos em junho, quando a empresa suspendeu abruptamente o acesso aos modelos Fable 5 e Mythos 5 para entidades não americanas, levando alguns desenvolvedores e fundadores de startups indianos a considerar alternativas aos modelos de IA americanos. A restrição ao Fable 5 foi posteriormente liberada, enquanto o acesso ao Mythos 5 permanece limitado.
A Índia tem se tornado um mercado cada vez mais relevante para empresas de inteligência artificial, impulsionada pela grande base de desenvolvedores e trabalhadores de tecnologia no país. O desafio principal continua sendo converter o uso generalizado em assinaturas pagas, considerando a sensibilidade aos preços característica do mercado indiano. A Anthropic não respondeu aos pedidos de comentário sobre a implementação da precificação em rúpia.
Fonte: TechCrunch
