O regulamento europeu MiCA (Mercados de Ativos Criptográficos) entra em vigor nesta quarta-feira, dia 1º, e o cenário que se apresenta é de uma concentração sem precedentes no mercado de criptomoedas do continente. Dados recentes revelam que apenas 244 empresas obtiveram a licença necessária para continuar operando legalmente na União Europeia, um número irrisório quando comparado às aproximadamente 3.000 prestadoras de serviços de ativos virtuais que atuavam na região com autorizações mais simplificadas.
Isso representa uma exodus de mais de 90% das empresas do setor que, a partir de agora, ficam impedidas de oferecer seus serviços aos consumidores europeus. A situação evidencia um encolhimento drástico do mercado no bloco econômico.
Entre os gigantes do setor que garantiram suas autorizações estão corretoras de peso como Bybit, OKX, Coinbase, Kraken, Gate e KuCoin. Já a Binance, uma das maiores plataformas de negociação de criptomoedas do mundo, não conseguiu obter a licença dentro do prazo e segue em busca de alternativas para manter o atendimento aos clientes da região.
O país que mais emitiu autorizações foi a Alemanha, com 56 licenças concedidas. Em segundo lugar, aparecem a França e os Países Baixos, ambos com 26 autorizações cada. O mecanismo permite que uma empresa obtenha sua licença em apenas um Estado-membro e possa operar automaticamente nos 27 países que compõem o bloco.
Outros nomes conhecidos que já garantiram a autorização incluem Strike, Circle, Simplex, Zodia, Bit2me, Blockchain.com, Revolut, Socios.com, Crypto.com, Gemini, Robinhood, Bitstamp, Bitpanda e eToro. A lista tende a aumentar conforme mais empresas correm atrás da regularização.
Em entrevista publicada nesta segunda-feira, o fundador da Binance, Changpeng Zhao, comentou a situação. Segundo ele, a saída da corretora da União Europeia representa uma perda para ambos os lados. "Acredito que a situação atual, infelizmente, é uma perda para a Binance; também é uma perda para a Europa. É uma situação em que todos perdem", declarou.
Em nota publicada em seu blog na última quarta-feira, a corretora afirmou que continuará oferecendo suporte aos usuários afetados, garantindo que os fundos dos clientes permanecem seguros. Sobre a rejeição da licença pelos reguladores gregos, CZ revelou que houve uma disputa entre dois países europeus para aceitar a corretora, mas que forças contrárias acabaram prevalecendo.
Fonte: Livecoins
