O desenvolvimento de um mercado de capitais basado em tokens no Brasil exige a combinação de avanços tecnológicos, análise de modelos variados e a colaboração entre diferentes participantes do ecossistema financeiro. Essa perspectiva foi apresentada por Cesar Carvalho, diretor de Relações Governamentais da ABToken, durante o encontro denominado Grupo de Trabalho de Tokenização: Encontro com o Mercado, realizado na última quinta-feira no auditorium Plínio Barreto da Fundação Getulio Vargas, na capital paulista.
O evento reuniu profissionais e representantes do setor para debater o futuro da tokenização no país, tendo como base as iniciativas conduzidas pela Comissão de Valores Mobiliários. Na ocasião, Carvalho enfatizou três elementos fundamentais da experiência: a oportunidade de experimentar distintas tecnologias de registro distribuído, o compromisso com imparcialidade tecnológica por parte do órgão regulador e a natureza transparente e colaborativa do processo.
Segundo o executivo, o ambiente controlado dos testes possibilita monitorar as diversas fases do ciclo de vida de um ativo financeiro, desde sua emissão e distribuição até a negociação e o exercício de direitos. A partir dessas experimentações, será viável comparar alternativas e compreender como a tecnologia pode potencializar a clareza, a proteção e a eficiência das operações.
Carvalho também chamou a atenção para a importância da imparcialidade tecnológica adotada na iniciativa. Para ele, a inexistência de uma tecnologia imposta antecipadamente concede aos participantes a liberdade de analisar distintas soluções de maneira autônoma, identificando pontos fortes, fragilidades e particularidades de cada alternativa. O objetivo é consolidar essas avaliações no documento conclusivo dos trabalhos, contribuindo para uma visão mais completa das opções disponíveis ao mercado nacional.
O diretor salientou ainda o papel essencial de associações, organizações de autorregulação e demais representantes do setor na construção desse ambiente experimental. Em sua avaliação, a variedade de enfoques técnicos e jurídicos mostra-se indispensável para examinar os efeitos de uma inovação que abrange múltiplas dimensões do mercado financeiro.
Além dos experimentos técnicos, a ABToken busca colaborar na identificação de questões que necessitam de esclarecimento para viabilizar a estruturação de um mercado de capitais tokenizado. Entre os temas em destaque estão a integração desse ambiente com outros sistemas regulados, em especial o sistema de pagamentos brasileiro, além de aspectos relativos à liquidação de ativos virtuais. O executivo observou que diversos desses assuntos transcendem a alçada da Comissão de Valores Mobiliários e envolvem outros órgãos reguladores, como o Banco Central.
Também foram mencionados pontos como a proteção de dados e a segurança da informação, elementos que devem ser considerados na avaliação dos modelos em criação. A expectativa é que as experiências conduzidas pelos participantes auxiliem na formação de um diagnóstico sólido sobre as possibilidades e os obstáculos da tokenização no mercado de capitais brasileiro. Para a associação, o relatório conclusivo deverá compilar os resultados dos testes e identificar questões tecnológicas, jurídicas e regulatórias que merecem investigação aprofundada.
Fonte: Livecoins