A Chainalysis, reconhecida companhia de análise de dados em blockchain, revelou que os ataques físicos direcionados a investidores de criptomoedas, popularmente chamados de ataques de chave-inglesa, provocaram perdas de aproximadamente 30 milhões de dólares apenas no primeiro semestre de 2026. O valor, embora inferior aos 58 milhões de dólares registrados ao longo de todo o ano de 2025, sinaliza um cenário preocupante, já que 2026 caminha para se tornar o período mais violento da história recente para quem mantém ativos digitais.
A expressão ataque de chave-inglesa remete à ideia de que nenhuma proteção digital é suficiente quando o investidor é coagido fisicamente por criminosos armados. Entre as modalidades mais frequentes estão sequestros, invasões de residências, tomada de reféns e outras formas de agressão direta. Segundo o levantamento, mais da metade dos casos registrados em 2026 envolve sequestros, seguidos por invasões domiciliares, responsáveis por 37% das ocorrências. Outros tipos de violência somam 7%, enquanto a tomada de reféns corresponde a 4%.
A França se mantém como o país mais perigoso para os detentores de criptomoedas, com 30 incidentes conhecidos publicamente no primeiro semestre deste ano. Estados Unidos, Brasil e Tailândia também aparecem em posição de destaque. O relatório chama a atenção ainda para a crescente participação do Brasil nas estatísticas de invasão residencial, ao lado de Canadá, Filipinas e Suécia. De acordo com a Chainalysis, a maioria das vítimas em todos os países analisados é composta por residentes locais, e não por turistas. Na Suécia, 100% das pessoas atacadas moravam no país; na França, 93%; no Brasil, 82%; e nos Estados Unidos, 77%.
A empresa de análise atribui o aumento dos casos na França a dois vazamentos de dados relevantes ocorridos em 2024: o repasse de informações sigilosas por uma funcionária da Receita Federal francesa e a exposição de dados da plataforma Waltio, que prestava serviços de declaração de criptomoedas. O perfil dos agressores também chamou a atenção dos pesquisadores, que identificaram três níveis de criminosos envolvidos nesses crimes.
O primeiro grupo é formado por amadores, com conhecimento limitado sobre o funcionamento das criptomoedas. Após obterem os valores, costumam transferi-los diretamente para corretoras centralizadas, sem qualquer esforço para ocultar o rastro das transações, o que facilita a ação das autoridades e o bloqueio dos fundos.
O segundo nível reúne criminosos com conhecimento intermediário, capazes de utilizar corretoras descentralizadas, pontes entre redes e outras ferramentas para dificultar o rastreamento dos ativos roubados. Eles evitam ao máximo o contato com plataformas que exigem identificação de clientes, pois sabem que esses serviços possuem mecanismos rigorosos de conformidade.
O terceiro e mais preocupante grupo é composto por organizações criminosas altamente estruturadas, com acesso a especialistas em lavagem de dinheiro. Em um dos casos documentados, fundos subtraídos em um ataque violento foram repassados por uma corretora de troca instantânea e, em seguida, por um serviço de balcão suspeito de lavar dinheiro, que já havia mantido relações com cartéis, carteiras vinculadas ao ex-atleta olímpico de snowboard Ryan Wedding, acusado de tráfico de cocaína, além de redes de financiamento terrorista e esquemas de lavagem no Sudeste Asiático.
Diante do cenário, a Chainalysis recomenda que investidores evitem divulgar publicamente a posse de criptomoedas, tanto em ambientes virtuais quanto em conversas pessoais. As autoridades, por sua vez, podem utilizar o rastro deixado pelas transações em blockchain como ferramenta fundamental para identificar e responsabilizar os criminosos envolvidos nesses ataques.
Fonte: Livecoins

