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Binance sofre maior roubo de criptomoedas da história e garante reembolso aos clientes

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A Binance, maior plataforma de negociações de criptomoedas do planeta, confirmou ter sido alvo de um ataque cibernético que resultou no roubo de aproximadamente 6,3 bilhões de dólares em ativos digitais, configurando o maior incidente dessa natureza já registrado no mundo. A empresa publicou um comunicado na noite de quinta-feira, dia 29, e o co-diretor geral Richard Teng usou as redes sociais para tranquilizar os usuários. A corretora assegurou que os recursos dos clientes estão protegidos e que todas as perdas serão arcadas pelo fundo SAFU e pela própria reserva financeira da companhia.

De acordo com a investigação inicial conduzida pela Binance, o invasor pode ter obtido acesso ao notebook de um engenheiro de DevOps. A partir dessa máquina comprometida, o atacante conseguiu alcançar um contêiner de serviços da plataforma e realizou transferências não autorizadas. Richard Teng esclareceu que não se tratou de uma ação simples nem de uma falha individual. "O agresor não apenas utilizou as permissões de um engenheiro, e isso não foi algo de 'um clique'. Envolveu um processo de ataque muito mais sofisticado", declarou. A empresa também informou não ter detectado sinais de comprometimento de chaves privadas das carteiras.

Os registros on-chain revelam a rapidez da operação. Os ativos começaram a deixar as carteiras da Binance em dez redes blockchain às 20h05 UTC de 29 de outubro, prosseguindo para um único endereço controlado pelo agresor. A empresa de análises TRM Labs calcula que cerca de 6,36 bilhões de dólares em ativos digitais foram transferidos, a maior parte em aproximadamente vinte minutos. Entre as redes impactadas estão Ethereum, Bitcoin, Tron, Solana e XRP Ledger. Antes mesmo do ataque na Ethereum, aproximadamente 233,46 milhões de XRP, equivalentes a quase 296 milhões de dólares, saíram de cinco carteiras da corretora. A empresa de segurança Blockaid identificou uma transação incomum na Ethereum com cinquenta autorizações do padrão EIP-7702 direcionadas à carteira conhecida como "Binance 14".

Embora a Binance não tenha atribuído a responsabilidade a ninguém, as empresas de análise de blockchain TRM Labs e Chainalysis conectaram o ataque à Coreia do Norte. Ambas apontam o grupo TraderTraitor, respaldado pelo Estado e associado ao conglomerado hacker Lazarus, como provável autor. O investigador independente ZachXBT também classificou o agresor como "provavelmente Lazarus". Alguns elementos reforçam essa suspeita. A carteira operacional do atacante recebeu pequenos depósitos do misturador Tornado Cash a partir de 28 de outubro, pelo menos trinta e seis horas antes do roubo. Dois dias antes do ataque, a própria Binance havia comunicado ter bloqueado investidas relacionadas à Coreia do Norte que utilizavam falsas propostas de emprego para induzir pessoas a executar código malicioso.

Do total desviado, aproximadamente três bilhões de dólares já foram congelados on-chain, em ação conjunta com parceiros de blockchain. Desse valor, 2,3 bilhões de dólares estão em stablecoins USDT e USDC. Além das empresas Circle e Tether, a Ripple também colaborou para bloquear recursos vinculados ao ataque. O fundador da Binance, Changpeng Zhao, agradecer publicly às emissoras de stablecoins e definiu a Tether como fundamental para a recuperação.

Como providências imediatas, a corretora interrompeu os saques enquanto realiza uma auditoria de segurança no serviço de retiradas e nos endereços afetados. A empresa também cancelou as autorizações dos endereços comprometidos e acionou autoridades policiais e parceiros especializados em inteligência de blockchain. A primeira comunicação informava a suspensão de depósitos e saques, mas atualizações posteriores indicaram a retomada dos depósitos. Em atualização às 4h17 UTC de sexta-feira, a co-diretora geral Yi He afirmou que os depósitos continuam operando normalmente e que os saques devem ser retomados em até quarenta e oito horas.

A dúvida central do mercado é se a Binance consegue absorver o prejuízo. Sean Farrell, da consultoria Fundstrat Global Advisors, avaliou que o ataque não representa um risco relevante de solvência para a plataforma. Segundo seus cálculos, aproximadamente 3,3 bilhões de dólares permanecem sem bloqueio. Se as stablecoins congeladas forem devolvidas, o SAFU, avaliado em cerca de 1,2 bilhão de dólares, cobriria aproximadamente um terço desse valor restante.

A notícia provocou queda nos mercados. O bitcoin recuou mais de quatro por cento na sexta-feira, para cerca de 77.995 dólares. O BNB, token nativo da Binance, chegou a cair quase dez por cento antes de se recuperar parcialmente. As liquidações no mercado de criptomoedas ultrapassaram 1,5 bilhão de dólares, e investidores preocupadíssimos tentaram retirar recursos das corretoras após o ataque.

A Binance recomenda que os clientes acompanhem as atualizações exclusivamente pelos canais oficiais e busquem o suporte em caso de dúvidas. A orientação é fundamental porque episódios dessa magnitude frequentemente vêm acompanhados de tentativas de golpe com comunicados falsos, links fraudulentos de inúmer reimbursement e perfis que se passam pela empresa. A corretora reiterou que nenhum prejuízo será repassado aos clientes, e prometeu publicar um relatório técnico completo quando a investigação for concluída, além de uma versão atualizada de sua Prova de Reservas após corrigir as falhas identificadas.

Fonte: Livecoins

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