O Bitcoin enfrenta uma forte desvalorização, perdendo aproximadamente 50% de seu valor em relação ao topo histórico registrado em outubro. Nesse contexto desafiador, Rafael Schultze-Kraft, ex-neurocientista e cofundador da empresa de análise Glassnode, publicou um estudo detalhado tentando responder à pergunta que investidores de todo o mundo fazem: até onde a criptomoeda pode cair neste ciclo?
A evolução dos drawdowns históricos
Um dos pontos relevantes levantados pelo analista é a observação de que os drawdowns do Bitcoin — isto é, as retrações máximas de preço a partir de um topo — têm apresentado tendência de redução ao longo dos ciclos. Os fundos anteriores representaram quedas de 85%, 84% e 77% respectivamente, indicando um padrão de amortecimento gradual. Com base nessa tendência, o pior cenário projetado para o ciclo atual seria uma queda de 72%, embora Rafael acredite que a retração pode ser menos severa do que esse patamar.
As quatro zonas de suporte identificadas
O cofundador da Glassnode mapeou quatro faixas de preço onde o Bitcoin pode encontrar fundamentação. A primeira região fica entre US$ 61.700 e US$ 64.100, correspondente à Média Móvel de 200 semanas (200WMA) e ao Preço Realizado Mediano, respectivamente. Essa zona foi alcançada recentemente, com o Bitcoin caindo abaixo do preço médio de custo do investidor mediano pela primeira vez desde dezembro de 2022.
A segunda faixa de suporte importante situa-se ao redor de US$ 54 mil, representando o Preço Realizado. Mais abaixo, temos o CVDD (Cost Basis Weighted Average of Volume Delta), atualmente em US$ 46,2 mil, que o analista considera a âncora mais precisa do conjunto de valuation. O Preço Balanceado, por sua vez, fica em aproximadamente US$ 40 mil, enquanto o Preço Delta encontra-se em torno de US$ 35 mil.
O padrão histórico dos fundos de mercado
Rafael enfatizou que todos os ciclos anteriores do Bitcoin tiveram seus fundos dentro dessa faixa de valuation, com os preços formando pavios de recuperação depois de atingir esses patamares. Em ciclos passados, o fundo foi tocado dentro de uma faixa de 1,05 a 1,18 vezes o CVDD, sendo essa métrica consistentemente o ponto onde a pressão vendedora se esgotou. 'As linhas de valuation mais altas muitas vezes foram rompidas; o CVDD é onde o fundo repetidamente se concentrou', observou o analista.
A zona mais profunda, que vai do Preço Balanceado ao Preço Delta, apareceu em menos de 3% dos dias de negociação ao longo da história, tratando-se de um cenário de capitulação mais extremo e menos provável. Essa 'cauda de capitulação', como chamou Rafael, situa-se entre aproximadamente US$ 35 mil e US$ 40 mil.
Cenário mais provável e zonas de resistência
Na avaliação do analista, a maior probabilidade é que o Bitcoin encontre seu fundo entre o CVDD e o Preço Realizado, ou seja, na faixa entre US$ 46 mil e US$ 54 mil. Trata-se de uma região onde os fundamentos históricos demonstram maior chance de reversão da tendência de queda.
Para o lado positivo, Rafael também identificou três zonas importantes para a recuperação. A primeira fica entre US$ 75 mil e US$ 79 mil, onde convergem o custo-base dos holders de curto prazo (STH), a True Market Mean e a média móvel de 200 dias (200DMA). O analista explica que transformar esse cluster em suporte representaria o primeiro sinal concreto de recuperação. Em seguida, vem a Média Móvel de 50 semanas (50WMA), próxima dos US$ 93 mil, e finalmente o topo histórico de US$ 126.200.
Cautela na interpretação
Apesar da análise detalhada, Rafael fez questão de cautela: 'Isto não é uma previsão, e eu não sei onde está o fundo. Fundos não são conhecidos com antecedência; eles só podem ser delimitados em zonas, probabilidades e níveis que indicam quando o cenário está mudando'. A mensagem central é que, embora seja possível mapear regiões históricas de suporte, o mercado de criptomoedas permanece volátil e imprevisível, exigindo prudência dos investidores.
Fonte: https://livecoins.com.br
