Uma startup de biotecnologia dos Estados Unidos está desenvolvendo um tratamento tópico que demonstrou capacidade de rejuvenescer a pele em nível celular. A empresa Rubedo Life Sciences, com sede na Califórnia, apresentou resultados preliminares durante o Encontro de Descoberta de Medicamentos e Pesquisa sobre Envelhecimento, realizado em Boston.
O estudo clínico envolveu 11 voluntários diagnosticados com dermatite atópica, uma condição inflamatória crônica da pele. Após quatro semanas de aplicação da crema experimental, os participantes apresentaram uma redução média de aproximadamente dois anos na idade biológica da pele. Um dos voluntários conseguiu uma diminuição superior a onze anos. A análise independente foi realizada pela empresa Mitra Bio, utilizando um relógio de envelhecimento epigenético.
O medicamento atua sobre um mecanismo conhecido como senescência celular, no qual células danificadas ou estressadas param de se dividir permanentemente, mas não morrem. Essas células, denominadas zumbis pelos cientistas, tendem a se acumular com o passar dos anos e liberam substâncias que contribuem para processos inflamatórios e danos nos tecidos. Ao mirar uma proteína chamada GPX4, o tratamento busca tornar essas células senescentes mais vulneráveis à morte celular programada, ao mesmo tempo em que revitaliza células saudáveis próximas.
Além dos benefícios anti-idade, o tratamento demonstrou reduzir marcadores inflamatórios e aumentar em dez por cento a produção de colágeno, proteína essencial para a elasticidade e estrutura da pele. Em outro ensaio com dezoito participantes portadores de queratose actínica, condição causada pela exposição solar excessiva, a crema proporcionou uma redução de quarenta e seis por cento nas lesões após trinta dias de uso.
A empresa pretende expandir suas pesquisas para psoríase, danos causados pelo sol e calvície hereditária. O diretor executivo Frederick Beddingfield, antigo responsável médico da Allergan onde ajudou a lançar a toxina botulínica, acredita no potencial de uma versão de menor concentração para venda sem receita, que poderia competir com os produtos contendo retinol disponíveis no mercado.
Especialistas ouvidos pela reportagem demonstraram interesse, mas pediram cautela. Eric Verdin, presidente do Buck Institute for Research on Aging, afirmou que ainda é preciso compreender melhor o que esses relógios de envelhecimento realmente medem. Já o dermatologista Anthony Rossi, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, lembrou que algumas células senescentes desempenham funções importantes, como inibir a progressão do câncer, e alertou que a ciência ainda está em estágio inicial.
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