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Cientistas brasileiras descobrem microrganismo extremófilo na Antártida que pode revelar segredos da vida extraterrestre

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Pedro Spadoni
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Um grupo de pesquisadoras do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP) acaba de revelar uma descoberta que pode revolucionar o entendimento sobre os limites da vida no Universo. Após anos de análises genéticas, a equipe identificou uma nova espécie de microrganismo em um vulcão ativo na Antártida, capaz de sobreviver em temperaturas próximas a 100°C em meio ao gelo e à neve do continente gelado.

A expedição que culminou numa descoberta histórica

As amostras biológicas foram coletadas em 2014, durante uma expedição do Programa Antártico Brasileiro a bordo do Navio Polar Almirante Maximiano. Os pesquisadores se dirigiram à Ilha Deception, uma região vulcânica conhecida por suas condições extremas. O material coletado permaneceu armazenado e passou recentemente por extensivos sequenciamentos genéticos, revelou a equipe responsável pela pesquisa.

O microrganismo que desafia os limites da vida

Batizado de Pyroantarcticum pellizari em homenagem à microbiologista Vivian Pellizari, o organismo unicelular pertence ao domínio Archaea, um grupo de seres vivos que, embora visualmente semelhantes às bactérias, possuem diferenças genéticas e bioquímicas fundamentais. Esta família representa um dos grupos de seres vivos mais primitivos do planeta, conhecidos por habitar ambientes extremos há bilhões de anos.

Uma janela para possíveis vidas alienígenas

A importância desta descoberta transcende as fronteiras da microbiologia terrestrial. O Pyroantarcticum pellizari pode fornecer subsídios valiosos para pesquisas sobre a possibilidade de vida extraterrestre, além de abrir novas fronteiras nos estudos de biotecnologia e mudanças climáticas. A capacidade deste microrganismo de sobreviver em condições tão hostis oferece pistas sobre como a vida poderia existir em outros planetas com ambientes semelhantes.

Genética revela mecanismos de sobrevivência extremófila

Até a publicação deste achado, os organismos pertencentes à família Pyrodictiaceae eram encontrados predominantemente em fontes hidrotermais do oceano profundo, onde a água ultrapassa os 400°C sob pressão atmosférica elevadíssima. A nova arqueia, no entanto, vive numa fissura de superfície, enfrentando condições ambientais distintas e instáveis, o que intriga a comunidade científica e levanta questões sobre os mecanismos que permitem tolerância a mudanças térmicas abruptas.

A análise genética demonstrou que o microrganismo dispõe de recursos evolutivos impressionantes para suportar o calor do vulcão. Entre eles, destaca-se a proteína girase reversa, encarregada de impedir que o DNA se desfaça em temperaturas extremas, garantindo a integridade do material genético mesmo sob condições letais para a maioria dos seres vivos.

Desafios técnicos superados pela bioinformática

Para decodificar o genoma da criatura sem a necessidade de cultivá-la viva em laboratório – procedimento considerado complexo para microrganismos que se desenvolvem acima de 60°C – o grupo utilizou a técnica de montagem de MAGs (metagenome-assembled genomes). Este método reconstrói genomas completos diretamente a partir do DNA presente na amostra ambiental, superando os limites tradicionais de isolamento microbiológico de campo.

O processo exigiu o processamento de um volume massivo de dados computacionais e suporte de infraestrutura da universidade, demandando cerca de um ano de trabalho exclusivo para recuperar o DNA da amostra. "Cada organismo presente na amostra tem um genoma, e muitas vezes temos milhões de microrganismos no material. Então, imagine ter que segmentar e sequenciar o DNA para reconstruir o genoma desses seres", explicou a pesquisadora Ana Carolina Butarelli ao G1.

Perspectivas futuras e novos estudos

Além dos desafios computacionais e logísticos inerentes ao trabalho no continente antártico, a equipe enfrentou a escassez de literatura científica anterior sobre essa linhagem específica, o que gerou obstáculos na interpretação e comparação de dados. O grupo agora planeja retornar à Ilha Deception para coletar mais amostras e tentar realizar o cultivo controlado do microrganismo em laboratório, ampliando as possibilidades de estudo desta descoberta que promete redefinir os limites conhecidos da vida na Terra.

Fonte: https://olhardigital.com.br

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