O mapeamento completo do cérebro de uma mosca-das-frutas macho adulta foi revelado no dia 3 de setembro, representando um marco histórico para a neurociência. O trabalho, conduzido por pesquisadores do Google Research em parceria com o HHMI Janelia Research Campus, conseguiu reconstruir mais de 166 mil neurônios e impressionantes 25,6 milhões de conexões neurais, estabelecendo um novo recorde científico na área.
Poucos dias após a divulgação do mapeamento, o desenvolvedor Alex Wormuth decidiu testar as capacidades do sistema nervoso da mosca de uma forma inusitada. Ele criou uma simulação chamada "Stonkfly", que conecta o cérebro do inseto ao mercado de criptomoedas. O experimento consiste em fornecer 100 dólares à mosca virtual para que ela realize operações de compra e venda de ativos digitais de forma autônoma.
Segundo Wormuth, os preços das criptomoedas são convertidos em sinais visuais no formato RGB para que possam ser interpretados pelo cérebro da mosca. O sistema estimula 3.335 entradas de brilho e 811 entradas de cor, que são processadas pelo mapa neural MaleCNS v1.0. A partir da atividade neural resultante, o sistema sugere se o investidor virtual deve comprar, vender ou manter sua posição.
O mecanismo de funcionamento é baseado em células dopaminérgicas. Quando a mosca virtual obtém lucro, 15 células denominadas PAM 11 são estimuladas. Já em caso de prejuízo, são ativadas duas células chamadas PPL101. Esse sistema de recompensas e punições químicas serve como base para as decisões de negociação.
Até o momento desta redação, o cérebro da mosca acumulava ganhos de 0,34 dólares, equivalente a 0,34% de rentabilidade. A carteira virtual está posicionada em Solana, uma das quatro criptomoedas disponíveis para negociação, que incluem ainda Bitcoin, USDC e Ethereum. O experimento pode ser acompanhado em tempo real pelo site do projeto.
O desenvolvedor esclarece que o formato visual da mosca é meramente decorativo e que não há evidências de que o sistema aprenda a negociar com lucro de forma consistente. A meta de posicionamento de 40% em criptomoedas foi configurada pelos criadores do projeto. Sinais neurais de compra podem aumentar a exposição em até 18% por ativo, enquanto sinais de venda reduzem a posição quando a carteira se aproxima do limite estabelecido.
Além de negociar criptoativos, o cérebro da mosca também está sendo utilizado para jogar clássicos dos videogames. Um dos projetos, também de autoria de Alex Wormuth, conecta o conectoma completo da mosca-das-frutas ao jogo Doom. Cada quadro do jogo estimula neurônios sensoriais específicos, e a atividade neural é convertida em comandos de controle. Quando o personagem sofre dano no jogo, as células dopaminérgicas PPL101 são ativadas como forma de reforço, buscando ensinar a mosca virtual a sobreviver no game.
Fonte: Livecoins