O Conselho de Estabilidade Financeira divulgou nesta segunda-feira (12) um relatório de cinco páginas alertando para os riscos associados às moedas estáveis. Embora reconheça o papel transformador dessas criptomoedas no contexto do G20, o documento enfatiza a necessidade de manter estruturas regulatórias e de supervisão eficazes para fomentar a inovação enquanto são tratadas potenciais vulnerabilidades. O órgão destaca que aproximadamente 99% do mercado de moedas estáveis, avaliado em 300 bilhões de dólares, está atrelado ao dólar americano.
Consideradas como uma versão digital da moeda norte-americana, as moedas estáveis jáfirmaram sua posição no mercado de criptomoedas e vêm sendo cada vez mais incorporadas ao sistema financeiro tradicional, aparecendo em pagamentos cotidianos e operações de remessa. O Conselho observa que, no futuro, essas moedas poderão viabilizar transações domésticas e internacionais em larga escala de forma mais ágil, transparente e econômica.
O texto alerta que a forma como as moedas estáveis serão utilizadas em cada jurisdição, seja como meio de pagamento, reserva de valor ou ambos, poderá trazer implicações significativas para a natureza e a gravidade das vulnerabilidades identificadas. Como exemplo, o relatório menciona que, embora essas moedas possam circular globalmente, os ativos que as lastreiam tendem a ficar concentrados em um único país.
Isso significa que é possível utilizar uma moeda estável no Brasil, mas o lastro dessa moeda pode estar sediado nos Estados Unidos. Entre os problemas citados, destacam-se os horários em que essas reservas podem ser afetadas e as exigências regulatórias divergentes. Em períodos de estresse, o acesso ininterrupto e a velocidade das negociações nos mercados secundários podem amplificar a rapidez e a magnitude das vendas coletivas, pressionando a paridade da moeda estável caso os resgates não consigam acompanhar a demanda. Por outro lado, mercados secundários profundos e líquidos podem facilitar operações de arbitragem que ajudem a estabilizar os preços.
O Conselho adverte que uma crise de saques poderia impactar o sistema financeiro tradicional por meio da venda forçada dessas reservas. Além disso, aponta para a dificuldade em monitorar as movimentações dessas moedas, uma vez que, embora as transações sejam visíveis ao público, elas são pseudoanônimas, dificultando a identificação das partes envolvidas na maioria das transferências.
O órgão destaca que a atividade com moedas estáveis gera uma grande quantidade de dados, mas diversos desafios limitam sua utilização eficaz no monitoramento de vulnerabilidades à estabilidade financeira. Esses obstáculos incluem características estruturais, como a natureza pseudônima das redes de blockchain públicas, que provavelmente persistirão sem mudanças significativas no ecossistema de criptoativos. As autoridades dependem de empresas especializadas em rastreamento, cada uma utilizando métodos diferentes, o que cria riscos relacionados à comparação e à credibilidade das informações.
Como recomendação, o Conselho sugere que os governos aprofundem seus conhecimentos em análises e explorem práticas do setor para a coleta de dados tanto internos quanto externos às redes de criptomoedas.
Fonte: Livecoins