Enquanto muitos especialistas alertavam que a inteligência artificial destruiria oportunidades de trabalho para recém-formados, uma nova pesquisa econômica contradiz essa visão pessimista. Um levantamento conduzido por pesquisadores do CESifo, centro de estudos ligado à cidade de Munique, na Alemanha, concluiu que não há indícios de substituição significativa ou redução nas contratações de egressos universitários, seja em termos absolutos ou relativos.
O estudo, batizado como "Os Primeiros Impactos da Inteligência Artificial no Emprego Entre Recém-Formados", foi elaborado pelos economistas Robert Fairlie e Jane Wu. Os pesquisadores optaram por investigar essa faixa específica da população ativa porque defendem que alterações na demanda por mão de obra tendem a se manifestar primeiramente por meio de cortes nas admissões, e não em demissões de profissionais já estabelecidos.
De acordo com os especialistas, embora a inteligência artificial tenha avançado o suficiente para executar tarefas padronizadas e repetitivas comuns a muitos cargos de entrada em escritórios, as empresas parecem preferir congelar novas contratações para funções mais simples, em vez de dispensar funcionários experientes com contratos de longo prazo. Essa estratégia preserva trabalhadores mais antigos, mas pode afetar diretamente quem busca ingressar no mercado de trabalho.
Por outro lado, os próprios pesquisadores reconhecem que a situação pode se agravar para os formandos de 2026. Um levantamento do Censo norte-americano indica que houve um salto expressivo no número de empresas que substituíram grande parte das tarefas de seus funcionários por soluções de inteligência artificial. Além disso, os gastos com inteligência artificial por empregado e o uso de plataformas corporativas de processamento de linguagem registraram crescimento acelerado nos últimos doze meses, o que sugere uma aceleração na adoção dessas tecnologias.
Fonte: Ars Technica