A expansão dos centros de dados está crescendo em um ritmo muito superior à capacidade de contratação de profissionais qualificados, fazendo com que o setor sofra com as consequências de seu próprio crescimento acelerado. É o que revela um novo levantamento sobre força de trabalho conduzido pela DCD Intelligence.
A escassez de pessoal afeta todos os setores, com mais de dois terços dos desenvolvedores e operadores relatando que suas equipes estão aquém do necessário para manter as operações funcionando adequadamente. Quase um terço das empresas opera com menos de 80 por cento da demanda necessária de profissionais.
Essas defasagens se manifestam em todas as áreas críticas, onde as lacunas representam riscos de queda no desempenho e aumento de paralisações. Os cargos com maior carência são os relacionados a instalações e infraestrutura física, sistemas de energia e refrigeração, além de operações de tecnologia da informação.
Os principais motivos para essas shortages estão associados a dificuldades no recrutamento e à escassez de talentos disponíveis. Quase metade dos participantes do levantamento apontou que a falta de conhecimento técnico entre os candidatos é o maior obstáculo para a contratação. A baixa visibilidade do setor como opção de carreira também foi citada como um problema relevante.
O estudo ainda analisou como as organizações estão buscando novos talentos. As empresas estão cada vez mais voltando-se para setores adjacentes de infraestrutura técnica e utilidades para preencher vagas, com profissionais vindos da indústria de telecomunicações ocupando a terceira posição entre as fontes de contratação.
Conhecimento em dinâmica de fluidos e expertise em energia foram os principais fatores que impulsionam a expansão da força de trabalho. As organizações buscam profissionais em empresas de utilities de energia e água, além da indústria de petróleo e gás para suprir essas necessidades.
Também há um movimento para ampliar caminhos baseados em educação, incluindo programas de estágio, aprendizagem e parcerias com universidades.
Analisando os diversos problemas identificados, um fio condutor fica evidente: o setor carece de estruturas organizadas em seus processos de recrutamento e treinamento. As lacunas de pessoal, a má integração de novos colaboradores, a inconsistência na capacitação e a lentidão na requalificação profissional são consequências da ausência de sistemas deliberados e padronizados para formar e manter talentos.
As organizações mais bem posicionadas para tirar proveito do crescimento explosivo do setor são aquelas que tratam o desenvolvimento de sua força de trabalho como infraestrutura essencial de seus negócios. Investir em treinamentos estruturados e em processos de integração padronizados é indispensável, assim como requalificar equipes em inteligência artificial e outras tecnologias emergentes que estão sendo adotadas na indústria. Sem essa mudança de abordagem, as lacunas de habilidades e as dificuldades de recrutamento deverão persistir e podem se ampliar nos próximos anos, à medida que o ritmo das transformações tecnológicas continuar acelerando.
Fonte: DCD