A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos apresentou uma nova proposta regulatória que pode marcar o fim de uma proibição histórica de mais de cinco décadas. O órgão regulador propõe permitir que aeronaves comerciais supersônicas sobrevoem áreas urbanas do país, desde que consigam minimizar significativamente o impacto do estrondo sônico no solo.
A proibição vigente foi estabelecida em 1973, após uma série de testes militares realizados nas décadas de 1960 sobre cidades como Oklahoma City, Chicago e St. Louis. Naquela época, os voos supersônicos causaram inúmera reclamações da população devido ao barulho intenso e aos danos estruturais provocados pelas ondas de choque.
A administração Trump defendeu a revogação dessa restrição como parte de uma estratégia para impulsionar o desenvolvimento de aeronaves supersônicas silenciosas. Em junho de 2025, o presidente emitiu uma ordem executiva determinando que a FAA avaliasse a possibilidade de autorizar esses voos sob novas condições.
A nova proposta, apresentada em 30 de junho de 2026, substitui a proibição absoluta por um padrão de certificação temporário baseado em ruído. Qualquer aeronave supersônica deverá manter a pressão do estrondo sônico abaixo de 0,11 libras por pé quadrado ao atingir o solo.
Esse novo critério técnico foi baseado nos resultados obtidos pela startup Boom Supersonic, com sede no Colorado. A empresa conseguiu demonstrar o chamado "voo silencioso Mach cutoff" com sua aeronave experimental XB-1, utilizando condições atmosféricas específicas em altitudes elevadas. Esse método permite que as ondas de choque sejam refratadas para cima, evitando que cheguem ao solo com intensidade perceptível.
Fonte: Ars Technica
