A polêmica em torno do novo anime de Ghost in the Shell ficou difícil de ignorar. Após o lançamento da produção pelo estúdio Science Saru, seguidores da franquia foram às redes sociais para expressar insatisfação, comparando a obra diretamente ao clássico filme de 1995 dirigido por Mamoru Oshii. As opiniões convergiam em um ponto: a nova versão não teria nenhuma semelhança com a adaptação que se tornou referência para gerações inteiras de espectadores.
O diretor Touma Kimura, conhecido no meio artístico como Mokochan, decidiu quebrar o silêncio e explicar a proposta artística por trás da nova interpretação de Major Motoko Kusanagi. Em declaração oficial, ele deixou claro que o objetivo da equipe não era reproduzir o exterior frio e mecânico que marcou a personagem na versão de Oshii. A intenção era, segundo ele, projetar o eu interior e a personalidade da protagonista diretamente para o público.
“A Major Motoko Kusanagi do filme de 1995 era estóica e taciturna. Já a versão desenvolvida pela Science Saru abraça sua natureza expressiva e impetuosa, exatamente como foi retratada nas páginas do mangá original de Masamune Shirow”, explicou Kimura. De fato, a proposta da nova adaptação era adaptar diretamente das quadras publicadas em 1989, onde Motoko surge como uma personagem muito mais carismática e o universo ao redor dela apresenta cores mais vibrantes.
A versão de 1995 de Mamoru Oshii, justamente por seus visuais marcantes e por ser a primeira adaptação audiovisual de Ghost in the Shell, acabou se tornando a base do que a maioria dos fãs conhecia da obra. Muitos nunca chegaram a ler o material original e, por isso, associaram a imagem de uma Motoko mais fria, robótica, e um mundo mais cru e sombrio como a essência da franquia.
Essa mudança significativa na personalidade da protagonista foi creditada a Hiroyuki Okiura, supervisor de animação e designer de personagens da versão de 1995. Em declarações passadas, Okiura revelou que acreditava que tornar a personagem mais madura seria mais adequado para acompanhar a idade mental da protagonista, em contraste com a versão mais jovial presente no mangá.
A nova produção busca justamente recuperar a Motoko original, uma versão que permanecia desconhecida para grande parte do público, especialmente após décadas de franquia que mantiveram a personalidade estabelecida pelo filme de Oshii. O remake de 2026 contou ainda com a participação direta do autor Masamune Shirow na produção, garantindo que o anime seguisse fielmente o material original.
Maaya Sakamoto, actresses que dubiou a personagem em diversas ocasiões ao longo da carreira, também se pronunciou sobre a nova versão. Em entrevista ao portal Mantan Web, ela descreveu a abordagem como revigorante. “Esta versão da Motoko é expressiva e enérgica, e há muitas cenas cômicas. Foi a primeira vez que vi esse tipo de Motoko em um anime, e foi algo revigorante. Isso tornou a atuação muito difícil”, declarou a artista.
Fonte: IGN Brasil
