A empresa de tecnologia de vigilância Flock Safety apresentou um conjunto de novas medidas denominadas "freios de privacidade", aparentemente como resposta à crescente oposição popular à presença de seus dispositivos em bairros de todo o país. A decisão surge após o executivo-chefe Garrett Langley realizar uma rodada de entrevistas para convencer a opinião pública de que a companhia não representa uma engrenagem de um estado de vigilância distópico, mas sim uma fornecedora de segurança pública. "Não somos o Grande Irmão", declarou Langley. "Nosso foco é proteger as pessoas."
Entre as principais mudanças, a empresa anunciou que o período padrão de retenção de dados será reduzido de trinta para sete dias. Anteriormente, os sistemas da Flock armazenavam automaticamente informações de registro e localização dos indivíduos por um mês inteiro, embora esse prazo pudesse ser ajustado conforme políticas estaduais e municipais. A União Americana pelas Liberdades Civis havia recomendado anteriormente que o padrão fosse fixado em quarenta e oito horas.
Além disso, a Flock passa a exigir que agências de segurança utilizem códigos de caso que identifiquem uma infração potencial antes de realizar buscas em seu banco de dados. Antes, essa era uma configuração opcional para os clientes da empresa, e dezenas de agentes foram acusado de utilizar o banco de dados para perseguir e assediar pessoas. A ferramenta "Assistência de Auditoria", criada para sinalizar usos inadequados, agora será padrão em todos os pacotes da Flock. A companhia também está introduzindo uma nova função chamada "Filtragem de Ofensas para Compartilhamento", que permitirá às cidades moderar o acesso de outras agências aos dados de seus moradores, categorizando quais tipos de infrações podem ser pesquisadas.
Todas essas mudanças vêm acompanhadas de exceções. "Cada comunidade continuará escolhendo o período de retenção que se adequar à sua estratégia de segurança pública", informou a Flock. A empresa também anunciou um novo "Modo Evidência", que permite às forças de segurança contornar as políticas de retenção e armazenar dados específicos de leitura de placas se forem considerados evidências em investigações ativas. A funcionalidade pode representar um passo na direção certa, ou pode piorar tudo, segundo organizações de direitos civis.
Nos últimos trinta dias, comunidades se mobilizaram para "desflocar" seus bairros, incluindo a destruição, bloqueio e até roubo de câmeras da Flock instaladas em suas regiões. Diversas prefeituras e até empresas de tecnologia parceiras cancelaram contratos com a companhia, enquanto outras avaliam parcerias continuadas. Para muitos, a câmera da Flock se tornou um símbolo ameaçador da vigilância estatal habilitada por tecnologia e da coleta irrestrita de dados.
Até junho, a empresa operava mais de cento e vinte mil câmeras em seis mil bairros diferentes, utilizadas por uma variedade de negócios, agências de segurança e até associações de moradores para monitorar qualquer pessoa que passasse dirigindo. Por anos, especialistas em privacidade e defensores dos direitos civis têm alertado sobre a escalada de sistemas automatizados de leitura de placas em todo o país, assim como a natureza oculta desse hardware de vigilância em espaços públicos. Além de escanear automaticamente veículos para comparar seus registros contra bancos de dados policiais, esses sistemas frequentemente armazenam dados pessoais de registro e localização por períodos indefinidos para uso posterior em redes nacionais e agências de segurança, antes mesmo de qualquer crime ser cometido.
Fonte: Mashable

