O governo do Reino Unido anunciou uma ambiciosa estratégia espacial no valor de 7,8 bilhões de libras, que inclui pela primeira vez a chegada da internet via satélite à malha ferroviária do país. O plano, revelado nesta semana, estabelece metas prioritárias para o setor espacial britânico, mirando a reindustrialização nacional e o fortalecimento da segurança do país.
Entre os principais destaques do documento está o investimento de 57 milhões de libras no Departamento de Transportes para melhorar a conectividade ferroviária. A ideia é conectar os serviços ferroviários nacionais à internet de banda larga via satélite em órbita terrestre baixa, eliminando as falhas de sinal móvel que afetam os passageiros de trem.
A estratégia contempla ainda um montante de 148 milhões de libras para programas de foguetes europeus e 30 milhões de libras para lançamentos espaciais nacionais a partir do porto espacial SaxaVord, localizado nas Ilhas Shetland. Outros 163 milhões de libras serão direcionados a missões de ciência espacial e exploração, incluindo o robô marciano Rosalind Franklin, fabricado em Stevenage, além de programas de monitoramento do clima espacial.
O Reino Unido também investirà 40 milhões de libras em tecnologias de serviço, montagem e fabricação em órbita, capacidades que permitiriam reparar satélites danificados, remover detritos espaciais e fabricar componentes no espaço.
Quanto à conectividade ferroviária, o ministro dos Transportes, Keir Mather, confirmou em maio que os serviços de trens de longa distância deverão contar com internet via satélite até 2030. O projeto complementar, chamado Projeto Alcance, prevê a instalação de mil quilômetros de fibra óptica para eliminar pontos cegos em túneis das principais linhas ferroviárias do país.
A fabricante de satélites OneWeb, da qual o governo britânico possui participação majoritária desde 2020, é apontada como possível prestadora do serviço. A empresa, que se fundiu com a francesa Eutelsat, mantém sua sede em Londres, segundo informações oficiais.
O novo plano substitui a Estratégia Espacial Nacional anterior, publicada em 2021 pelo governo conservador anterior. "Este plano permitirá que nossa excelente indústria britânica aproveitar as oportunidades ilimitadas desta nova era espacial, criando empregos qualificados, impulsionando o crescimento e melhorando a conectividade para todos nós", declarou o Secretário de Negócios, Inovação, Ciência e Comércio, Jonathan Reynolds.
Fonte: DCD