Como jogador assíduo da franquia, sempre percebi que quanto mais alguém entende de futebol americano, menos diversão encontra no jogo. Esta constatação não é necessariamente uma crítica, mas sim a constatação de que o produto funciona melhor para jogadores casuais que buscam uma experiência mais arcade. Infelizmente, o Madden NFL 27 não conseguiu reverter essa situação.
O título apresenta uma jogabilidade fluída e agradável, porém ainda distante de um simulador fiel da liga profissional de futebol americano. As principais inovações tecnológicas aparecem nas mecânicas de recepção de passes, onde a desenvolvedora EA implementou um sistema que premia a sincronização perfeita entre arremessador e receptor. Na prática, funciona bem para jogadores mais dedicados e faz diferença em partidas online, mas apresenta falhas em passes curtos, com janelas de ação muito apertadas. A empresa teve a sensibilidade de permitir que os jogadores desativem ou limitem essa função.
A defesa também recebeu melhorias significativas, com física renovada nos tackles e movimentos mais realistas. O jogo ainda traz de volta o impacto sonoro da torcida, recurso ausente em edições anteriores, aumentando a imersão para quem gosta de simular temporadas completas.
Os modos offline, no entanto, sofrem com problemas graves. O jogo conta com dois modos principais: o Franchise, equivalente a uma carreira de técnico, e o Superstar, carreira de jogador. Ambos estão completamente cheios de erros. Um novo sistema de negociações de contratos foi implementado, prometendo ser mais interativo e dinâmico, mas as transações simples não funcionam adequadamente, forçando jogadores a aumentarem contratos que deveriam ser simples.
Além disso, o comportamento da inteligência artificial está extremamente irrealista. Em poucas temporadas, os clubes inflam contratos de forma absurda, quebrando o teto salarial que deveria equilibrar a liga e impossibilitando transferências por violação das regras financeiras. Enquanto um quarterback de elite normalmente ocupa cerca de 25% do teto salarial, durante os testes foram registradas renovações de 8 a 10 anos ocupando mais de 50% do limite, envolvendo diversos tipos de jogadores.
As aposentadorias também estão descontroladas. O sistema antigo levava em conta tempo de carreira e lesões, mas agora ocorrem sem justificativa plausível, com atletas jovens e com contratos longos abandonando a carreira precocemente.
Entre os pontos positivos, destaque para a adição de coordenadores ofensivos e defensivos reais, trazendo mais realismo ao mercado de treinadores. O novo mecanismo de personalidade cria um perfil para cada atleta, influenciando decisões fora de campo e determinando se aceitam propostas ou como se comportam durante a temporada.
Apesar da execução problemática, as ideias por trás das novidades são bastante interessantes e podem se tornar grandes diferenciais no futuro da franquia, especialmente após as correções prometidas pela desenvolvedora.
Fonte: IGN Brasil