Nandan Nilekani, um dos nomes mais influentes do setor de tecnologia na Índia, está deixando o cargo de sócio diretor geral da Fundamentum Partnership, a firma de capital de risco que ele ajudou a fundar há quase dez anos. A mudança ocorre no momento em que a empresa anuncia o lançamento de seu terceiro fundo, com meta de captação de aproximadamente 200 milhões de dólares.
O executivo permanecerá como investidor principal do fundo e continuará atuando como conselheiro da firma e mentor de empresas do portfólio, conforme explicou Sanjeev Aggarwal, co-fundador da Fundamentum, em entrevista. Aggarwal minimizou a alteração, definindo-a como "apenas uma questão de título", e destacou que Nilekani seguirá oferecendo orientação estratégica e apoio aos empreendedores das startups apoiadas.
"Ele é parte fundamental da nossa firma. O que ele mais gosta de fazer é mentorar as equipes que apoiamos, e isso continuará acontecendo no Fundo III", afirmou Aggarwal. Aos 71 anos, Nilekani é uma das figuras mais respeitadas do ecossistema tecnológico indiano. Além de co-fundar a Infosys, uma das maiores empresas de serviços de tecnologia do mundo, ele foi responsável pela criação do Aadhaar, o sistema de identidade biométrica do país, e tem sido um defensor incansável da infraestrutura digital pública indiana, incluindo a Interface Unificada de Pagamentos (UPI), uma rede de pagamentos em tempo real utilizada por centenas de milhões de indianos.
O executivo também tem apoiado ativamente a Rede Aberta para Comércio Digital (ONDC), iniciativa que busca tornar o e-commerce mais aberto e interoperável na Índia. Fundamentum foi fundada em 2017 por Nilekani e Aggarwal, este último anteriormente envolvido na criação da Helion Venture Partners. A firma investe em startups indianas em estágio de Série B e posteriores, e seu portfólio inclui marketplaces como Spinny (veículos seminovos), PharmEasy (farmácia online), Kuku FM (plataforma de histórias em áudio) e AppsForBharat (desenvolvedora do aplicativo Sri Mandir).
O terceiro fundo será comandado por Aggarwal junto com Prateek Jain, que está na firma desde a fundação em 2017, Mayank Kachhwaha, especialista em fintech que entrou antes do Fundo II, e Sanjay Chaturvedi, diretor financeiro que integra a equipe há quase uma década. O Fundo III pretende investir em oito a dez startups em estágio inicial nos setores de tecnologia para consumidores, fintech e inteligência artificial, com investimentos iniciais de cerca de 100 crore de rúpias (aproximadamente 10,5 milhões de dólares) cada.
Embora a firma ainda não tenha anunciado o primeiro fechamento, já iniciou a déploiement de capital. Aggarwal afirmou que espera concluir a captação nos próximos 12 a 18 meses. O Fundo III terá a maior commitment já feita por Nilekani a um fundo de capital de risco, embora o valor do investimento não tenha sido revelado.
A expectativa é levantar aproximadamente metade do total de investidores internacionais e o restante de instituições indianas, family offices, fundadores e parceiros da firma. Esse equilíbrio reflete a evolução do ecossistema de venture capital indiano na última década.
"Quando lançamos a Helion, não havia capital doméstico no país, e todo o dinheiro vinha dos Estados Unidos. Nos últimos cinco anos, estamos vendo um interesse muito forte de investidores indianos em backing firmas de venture capital. Hoje você pode construir uma firma de capital de risco com capital doméstico", explicou Aggarwal.
A empresa identifica as maiores oportunidades de inteligência artificial na Índia em aplicações construídas sobre modelos globais existentes, especialmente nas áreas de serviços financeiros, conteúdo e aplicativos voltados para consumidores em idiomas locais. Essa posição destaca como o ecossistema de IA indiano se concentra em startups de camada de aplicação, diferente dos Estados Unidos e China, onde empresas têm attracted bilhões de dólares para desenvolver modelos de IA de fronteira.
A reestruturação de liderança ocorre após a saída do sócio diretor Ashish Kumar, que recentemente lançou um fundo de capital de risco focado em inteligência artificial chamado Fundamentum Frontier Advisors (F2A), que também conta com Nilekani como investidor principal. Aggarwal esclareceu que a F2A é uma firma separada, sem conexão operacional com a Fundamentum, e Kumar não estará envolvido no Fundo III.
A Fundamentum realizou 17 investimentos nos dois primeiros fundos e já devolveu cerca de metade do capital do primeiro fundo aos investidores. O segundo fundo está atualmente focado em investimentos de acompanhamento.
Fonte: TechCrunch
