Uma operação coordenada pela Interpol resultou na prisão de 5.811 pessoas suspeitas de envolvimento em esquemas de golpe em escala global. A ação, denominada Primeira Luz 2026, aconteceu entre os dias 15 de janeiro e 30 de abril deste ano, resultando na interceptação de 293 milhões de dólares em ativos ilícitos, incluindo criptomoedas. O Ministério da Segurança Pública da China financiou a operação, que contou com apoio das organizações ASEANAPOL, GCCPOL e Europol.
Ao todo, 96 países participaram da operação, incluindo o Brasil, Argentina, China, Coreia do Sul, Índia, Japão e Portugal. As autoridades identificaram mais de 142 mil vítimas de golpes diversos ao redor do mundo. Os dados finais da operação incluem 152.808 casos analisados, 31.014 contas bancárias bloqueadas, 23.715 casos solucionados, 15.606 suspeitos identificados e 99 notificações e difusões emitidas.
A operação teve foco especial em golpes de engenharia social, que incluem comprometimento de e-mails corporativos, extortion sexual, golpes de romance, investimentos fraudulentos e falsificação de identidade. O diretor do Centro de Crimes Financeiros e Anticorrupção da Interpol, Tomonobu Kaya, alertou que esses golpes continuam representando uma ameaça significativa. Segundo ele, as organizações criminosas exploram a psicologia humana para manipular suas vítimas, e nenhum país estará seguro enquanto todos não estiverem preparados e comprometidos em combater esse problema em conjunto.
Na Tailândia, a polícia local prendeu duas pessoas acusadas de operar um esquema de lavagem de dinheiro vinculado a golpes de romance. Os suspeitos convertiam os fundos ilegais em diversas criptomoedas para dificultar o rastreamento financeiro. As investigações revelaram que a carteira digital de um dos suspeitos, um jovem de 20 anos, movimentou mais de 122,5 milhões de dólares em apenas dez meses.
Em Palau, as autoridades deportaram 22 pessoas que participavam de dois centros de golpes que funcionavam dentro de hotéis. Os suspeitos utilizavam criptomoedas e plataformas de apostas online enquanto operavam diversos tipos de golpes pela internet.
No Essuatíni, país de 1,27 milhão de habitantes que faz fronteira com a África do Sul e Moçambique, as autoridades apreenderam 240 dispositivos eletrônicos e moedas estrangeiras. O caso mais chocante foi a descoberta de uma réplica realista de uma delegacia da Polícia Federal do Brasil, com uniformes, placas e equipamentos falsos. Os criminosos fingiam ser agentes da Polícia Federal brasileira durante chamadas de vídeo, convencendo as vítimas de que elas haviam sido alvo de um crime e persuadindo-as a transferir dinheiro para uma suposta custódia segura, que depois era roubado. Ao todo, 82 pessoas foram presas no país, também envolvidas em jogos de azar ilegais e lavagem de dinheiro.
No Sri Lanka, centenas de suspeitos foram presos por envolvimento em centros de golpes. Já em Singapura e Omã, as autoridades utilizaram o sistema de Intervenção Rápida em Pagamentos Globais para bloquear uma transferência ilícita de 6,6 milhões de dólares relacionada a um golpe de comprometimento de e-mail corporativo. O alvo dos criminosos era uma empresa de comércio de commodities sediada em Singapura. As investigações também revelaram que os golpes se passavam por autoridades públicas em Macau para convencer a empresa a transferir 372 mil dólares, mas a transferência foi impedida a tempo gracias à intervenção das autoridades.
Fonte: Livecoins
