O conselho municipal de Cologno Monzese, na região da Lombardia, decidiu por unanimidade barrar um ambicioso projeto de construção de um centro de dados com capacidade de 80 megawatts. A proposta, apresentada pelas empresas Officine Mak e 2C Sviluppo Immobiliare Spa, pretendia ocupar o antigo complexo industrial da Torriani, localizado na Via Guzzina, próximo ao município de Brugherio.
O empreendimento prometia gerar uma receita de 12 milhões de euros para os cofres públicos municipais, o que tornava o projeto financeiramente atrativo. No entanto, os inúmerários técnicos do governo municipal identificaram incompatibilidades graves com os objetivos estratégicos da região.
Conforme resolução aprovada em 24 de setembro, o projeto apresentava "consumo massivo e contínuo de água e eletricidade, grande ocupação do solo e produção estrutural de resíduos tecnológicos complexos". A câmaraunicipal concluiu que tais características conflitavam diretamente com o Plano de Gestão Territorial local.
Os objetivos estratégicos de Cologno Monzese preveem a transição para um modelo de cidade inteligente, sustentável e circular, priorizando a regeneração de edificações existentes, eficiência energética, proteção dos recursos hídricos e expansão de áreas verdes e florestas urbanas.
A Lombardia, especialmente a região metropolitana de Milão, vive um boom na construção de infraestrutura digital, impulsionado pela crescente demanda por inteligência artificial. Projeções indicam que a área deve receber aproximadamente 2 gigawatts de capacidade adicional nos próximos cinco anos.
Essa expansão acelerada tem gerado forte resistência de moradores e lideranças políticas locais. Um projeto de 240 megawatts planejado para Magenta enfrentou intenso rechazo popular neste verão, enquanto planos para um centro de dados de 120 megawatts em Travagliato foram abandonados no mês passado.
Em junho, a Lombardia aprovou o primeiro marco regulatório dedicado do país para controlar o crescimento exponencial da infraestrutura digital. A legislação busca promover a sustentabilidade dos novos empreendimentos e incentivar a construção em terrenos industriais abandonados.
Fonte: DCD