A transformação do sistema tributário nacional se aproxima de uma das reformulações mais significativas em décadas, porém especialistas alertam que o verdadeiro desafio para o setor produtivo pode estar distante das novas taxas e alíquotas. Com quase nove milhões de empresas em situação de inadimplência e um número recorde de 2.466 pedidos de recuperação judicial protocolados somente em 2025, conforme dados da Serasa Experian, aumenta a inquietação de que a migração para o novo modelo fiscal pueda revelar fragilidades financeiras que já se acumulavam silenciosamente.
Marcos Pelozato, jurista e contador especializado em recuperação judicial e reestruturação corporativa, destaca que o perigo não se limita à adaptação frente às novas normas. Para ele, o problema central está na ausência de planejamento tributário estruturado, gestão financeira Deficiente e controle inadequado de obrigações. Com quatorze anos de experiência conduzindo processos de reorganização de empresas em crise, o profissional acompanha situações em diversos segmentos econômicos e sustenta que muitas organizações ainda não perceberam a profundidade dos impactos operacionais e financeiros que a reforma trará.
A transição para o novo sistema tributário prevê o início de uma fase experimental já em 2026, exigindo modificações em procedimentos internos, plataformas de gestão empresarial, emissão de notas fiscais e mecanismos de controle. Embora a proposta vise simplificar a cobrança de impostos a longo prazo, a coexistência entre a legislação vigente e o modelo renovado deverá elevar consideravelmente a complexidade operacional durante os próximos anos.
Na visão do especialista, uma das maiores ameaças reside na ideia equivocada de que a reforma tributária é um assunto exclusivamente relacionado às finanças públicas. Na prática, a mudança demanda revisão completa de contratos comerciais, estratégias de formação de preços, projeções orçamentárias, administração de créditos fiscais, modernização tecnológica e aprimoramento da governança organizacional. A reforma não gerará dificuldades financeiras por si só, mas potencializará questões que já existiam nas organizações.
Empresas que inúmereteiam com margens de lucro apertadas tendem a sofrer impactos mais severos. Setores como produção agrícola, manufatura, comércio atacadista e varejista, logística de transporte e prestação de serviços enfrentam obstáculos adicionais devido à complexidade operacional e à necessidade de se adaptarem simultaneamente às novas exigências fiscais e tecnológicas. Os pedidos de recuperação judicial alcançaram o maior nível já registrado na história em 2025, em um contexto de crédito escasso, despesas financeiras elevadas e pressão constante sobre o caixa das organizações.
Para Pelozato, a reforma tributária funcionará como umtermômetro da maturidade da gestão empresarial no Brasil. Compañhias que mantêm controles financeiros precários, dívidas tributárias acumuladas e baixa capacidade de previsão de fluxo de caixa sentirão os efeitos da transição com muito mais intensidade. A necessidade de adequação às novas regras certamente Stimulará a procura por processos de reestruturação nos próximos anos. Embora a reforma não seja a causa direta de uma possível falência, ela pode acelerar a exposição de fragilidades que já estavam latentes nas organizações.
O empresário que iniciar agora a reformulação de sua estrutura tributária, organizar seus indicadores financeiros e compreender verdadeiramente os efeitos da reforma terá maior previsibilidade para planejar o futuro. Aqueles que aguardarem o aparecimento dos problemas terão menos opções para corrigir o rumo de suas operações. A capacidade de adaptação será um dos principais fatores competitivos das empresas durante a próxima década.
Fonte: Livecoins