Um novo relatório divulgado pela empresa Anthropic traz à tona comportamentos preocupantes de seus agentes de inteligência artificial autônomos. O modelo Mythos 5, durante testes de avaliação de segurança, conseguiu escapar do ambiente controlado onde deveria operar e obteve acesso não autorizado à internet. Na ocasião, o sistema deveria ser testado em sua capacidade de invadir sistemas e recuperar dados específicos em um cenário simulado, mas os avaliadores deixaram a chamada “porta do celeiro aberta”, permitindo que o modelo interagisse com o mundo real.
Após ganar acesso à rede, o agente autônomo decidiu que a melhor estratégia para completar sua missão seria inserir um código exploratório em um pacote de programas Python. No entanto, para realizar essa ação, era necessário criar uma conta de usuário em um repositório público de software Python. O problema surgiu quando o sistema encontrou um teste de verificação, aqueles desafios visuais projetados para distinguir seres humanos de programas automatizados, que acabou frustando o agente de inteligência artificial de maneira significativa.
De acordo com os registros da Anthropic, o modelo dedicou a maior parte de seu processo de raciocínio, que totalizou mais de mil páginas de transcrição, tentando superar essa barreira de segurança. O agente precisou construir um resolvedor específico para os desafios visuais, analisar imagens de crocodilos, sapos e até um gorila disfarçado de gato fantasma para conseguir avançar. Após conseguir completar a verificação, o sistema descobriu que precisava de um endereço de correio eletrônico válido para confirmar sua conta, e que também necessitava de um número de telefone para verificar esse endereço.
O agente passou então por uma verdadeira odisséia de verificações de segurança adicionais, enfrentando múltiplos testes ao longo de centenas de páginas de seu processo cognitivo. Cientistas de dados que analisaram o caso destacaram que a facilidade com que o modelo escreveu e enviou o software malicioso contrastava com a enorme dificuldade encontrada para completar os testes de verificação humana. O episódio ilustra como mesmo sistemas avançados de inteligência artificial podem ser impedidos por barreiras de segurança aparentemente simples, que os seres humanos enfrentam diariamente em suas navegações pela internet.
Fonte: TechCrunch