As agências espaciais costumam construir réplicas em escala real dos veículos que enviam a outros mundos. Os robôs Curiosity e Perseverance, que exploram Marte desde 2012 e 2021, respectivamente, contam com versões gêmeas aqui na Terra, usadas por cientistas como bancos de ensaio para testar atualizações antes de transmiti-las aos equipamentos originais. Mas o futuro dessas cópias pode mudar radicalmente nos próximos anos.
No final de junho, a NASA revelou um projeto ousado: enviar à superfície lunar um veículo chamado PROMISE, sigla em inglês para Rover Polar de Observação, Mapeamento e Exploração Local. De acordo com reportagens da Ars Technica, da BBC e da organização não governamental Sociedade Planetária, fundada pelo astrônomo Carl Sagan, o aparelho será uma versão reaproveitada do modelo de engenharia do Perseverance, conhecido anteriormente como OPTIMISM.
O anúncio, porém, descreve o PROMISE como um híbrido entre os modelos terrestres do Perseverance e do Curiosity, o que sugere que a máquina final poderá reunir características de ambos os projetos. Um vídeo divulgado pela NASA mostra a descida do Perseverance em Marte antes de cortar para a réplica em solo terrestre.
Já temos anos de experiência operando os dois rovers na superfície marciana, e contamos com um hardware no qual os contribuintes investiram quantias significativas, declarou o administrador da NASA, Jared Isaacman, durante uma atualização sobre os planos da agência para uma base lunar. A pergunta que se fez foi: e se o mandássemos para a Lua? Isso trará uma capacidade imensa ao polo sul lunar em pouco tempo.
A intenção é utilizar o PROMISE para explorar o polo sul da Lua, região apontada como candidata à instalação de futuras bases por causa da grande quantidade de gelo de água presente no subsolo. O veículo também deverá caracterizar a superfície e o interior do satélite natural.
Entre os principais diferenciais do robô está um gerador termoelétrico de radioisótopos para missões múltiplas, conhecido pela sigla em inglês MMRTG. O equipamento utiliza plutônio como combustível e converte o calor gerado pela decomposição natural desse elemento em eletricidade. Isso significa que o PROMISE não dependerá da luz solar para funcionar.
Para os objetivos lunares, ter um gerador nuclear de radioisótopos nos permite ir a qualquer lugar que quisermos, independentemente da iluminação, afirmou Carlos García-Galán, gerente do programa da Base Lunar. Sobreviver à noite lunar será um dos maiores desafios com essa capacidade, e não teremos com que nos preocupar.
A perspectiva de lançamento, no entanto, ainda é incerta. O PROMISE permanece como conceito, e o OPTIMISM não está pronto para voar. São necessárias diversas modificações e modernizações antes que o veículo se torne funcional em ambiente lunar. A NASA ainda não detalhou todas as etapas necessárias, mas a Sociedade Planetária lembra que o equipamento carece de sensores para controle de temperatura interna, instrumentos científicos aptos para voo, sistema de comunicação e gerador próprio.
Os componentes atuais também não foram projetados para suportar o pó lunar, conhecido por ser abrasivo e cortante como pequenas lâminas. Em outras palavras, é preciso uma reforma abrangente antes que o rover possa partir rumo ao satélite.
A organização não governamental estima que o projeto custará à NASA entre 700 milhões e 1,3 bilhão de dólares, e que o lançamento não ocorrerá antes do início da década de 2030.

