Empresários e empresas do universo das moedas digitais estão se organizando para investir uma quantia milionária em uma investida política nos Estados Unidos. O objetivo é derrubar o senador democrata Sherrod Brown, que busca retornar ao Congresso americano pelo estado de Ohio. O valor reservado para essa operação chega a 30 milhões de dólares e será administrado pelo comitê de ação política Fairshake.
O grupo Fairshake, que se diz suprapartidário, já havia feito uma investida contra Brown em pleitos anteriores e obteve êxito em afastá-lo do cargo. Na ocasião, o bilionário Ron Conway, investidor veterano do setor de tecnologia do Vale do Silício, manifestou indignação ao descobrir que seu aliado político estava sendo alvejado pela indústria.
A mobilização ganhou força após os democratas impedirem a aprovação do projeto chamado Clarity Act no Senado, votação que ocorreu na terça-feira anterior. Conforme análise do jornal americano The Wall Street Journal, a entidade deve direcionar seus esforços para beneficiar candidatos do Partido Republicano daqui em diante, embora continue declarando ser imparcial.
Os cofres do Fairshake contam atualmente com aproximadamente 120,4 milhões de dólares em recursos. Isso significa que um quarto desse montante seria direcionado exclusivamente para desgastar a imagem de Sherrod Brown. Mesmo ciente do risco de sofrer mais uma derrota nas urnas, o postulante ao Senado reiterou que sua posição em relação ao mercado de criptomoedas permanece inalterada. Mesmo assim, observadores da mídia americana apontam que ele adotou um tom menos agressivo ao criticar o segmento nesta campanha.
Nas plataformas de previsão política, Brown aparece em vantagem considerável diante do adversário republicano Jon Husted, o que pode justificar o patamar bilionário dos recursos puestos à disposição para a investida contra ele. A ofensiva publicitária começa nesta terça-feira e prevê veiculação de anúncios em diferentes meios de comunicação.
Os maiores financiadores do Fairshake aparecem em registros oficiais da Comissão Federal de Eleições. A empresa Ripple emerge como principal colaboradora, com aporte de 48 milhões de dólares. Em segundo lugar está a corretora Coinbase, com contribuição de 33,2 milhões de dólares. Também aparecem na lista os fundos de investimento a16z, de Ben Horowitz e Marc Andreessen, o conglomerado Digital Currency Group e a gestora Grayscale, entre outros.
Nas redes sociais, executivos do setor dispararam críticas contra os democratas logo após a rejeição do Clarity Act. Brian Armstrong, comandante da Coinbase, escreveu que o resultado das eleições de 2024 evidenciou o poder do eleitorado favorável às criptomoedas e que os apoiadores do setor lembrarão de cada político que se posicionou a favor ou contra. Brad Garlinghouse, presidente da Ripple, afirmou que é necessário examinar detalhadamente os motivos do fracasso da proposta e que a postura democrata colocou interesses eleitorais acima de políticas públicas adequadas.
Fonte: Livecoins