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Vulcão ‘extinto’ na Grécia revela atividade magmática subterrânea após 100 mil anos

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Ana Luiza Figueiredo
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Uma pesquisa publicada na revista Science Advances desafia a concepção tradicional sobre vulcões considerados extintos. O estudo analisou o vulcão Methana, localizado na Grécia, e descobriu que, mesmo após mais de 100 mil anos sem erupções superficiais, o sistema vulcânico permaneceu ativo em profundidade. A investigação revela que a atividade magmática pode persistir por dezenas de milhares de anos sem romper a superfície, levantando questões importantes sobre a classificação e o monitoramento de vulcões aparentemente adormecidos.

Methana: um caso que desafia categorias tradicionais

O vulcão Methana, situated na costa leste da Grécia, foi o foco principal da pesquisa conduzida por cientistas da ETH Zurich. Embora não tenha registrado erupções significativas há mais de 100 mil anos, o vulcão sempre despertou interesse geológico por apresentar características distintas de outros sistemas vulcânicos da região. A escolha de Methana como objeto de estudo não foi acidental: os pesquisadores buscavam compreender o que acontece no interior de vulcões durante longos períodos de aparente dormência.

Cristais de zircão revelam história de 700 mil anos

Para reconstruir a evolução interna do vulcão, a equipe utilizou uma abordagem inovadora: a análise de cristais de zircão formados durante o resfriamento do magma. Esses minerais funcionam como verdadeiros registros das condições termais e químicas existentes no interior do vulcão no momento de sua formação. O pesquisador Olivier Bachmann explicou que foram analisados mais de 1.250 cristais ao longo de 700 mil anos de história vulcânica de Methana, permitindo uma reconstrução sem precedentes da dinâmica interna do sistema.

O magma ‘respirando’ sob a superfície

Os dados obtidos revelaram uma descoberta surpreendente: durante longos períodos de aparente inatividade, o vulcão continuou acumulando magma em profundidade. Em vez de estar completamente adormecido, Methana mantinha um reservatório subterrâneo que era constantemente alimentado. Bachmann sintetizou a finding com uma metáfora marcante: «O que aprendemos é que vulcões podem ‘respirar’ no subterrâneo por milênios sem nunca romper a superfície». Essa «respiração» magmática representa uma nova compreensão sobre o ciclo de vida dos vulcões.

Alta taxa de água no magma explica falta de erupções

Outro achado relevante do estudo refere-se à composição do magma de Methana. Os cientistas constataram que o magma continha níveis de água significativamente superiores às expectativas iniciais, especialmente durante os períodos em que o vulcão parecia adormecido. Essa característica altera fundamentalmente o comportamento do material magmático: com maior teor de água, o magma forma mais bolhas e concentra mais cristais, tornando-se mais espesso e viscoso. A equipe empregou modelos computacionais para simular a ascendência desse material diferenciado em direção à superfície.

As simulações demonstraram que esse tipo de magma sobe mais lentamente devido à sua viscosidade elevada, o que pode dificultar uma erupção mesmo quando existe um considerável reservatório subterrâneo. No entanto, os pesquisadores enfatizam que essa característica não elimina a possibilidade de futuras atividades vulcânicas, apenas retarda ou impede o processo eruptivo.

Impacto na avaliação de riscos vulcânicos globais

As conclusões do estudo têm implicações directas para o monitoramento de vulcões em todo o mundo. Os autores afirmam que a descoberta pode alterar fundamentalmente a forma como vulcões «extintos» são classificados e monitorados. Países como Grécia, Itália, Indonésia, Filipinas, Japão, além de regiões da América do Sul e do Norte, poderão necessitar revisar o potencial de risco de estruturas vulcânicas consideradas silenciosas há dezenas de milhares de anos.

A pesquisa sublinha a necessidade de manter vigilância contínua sobre sinais de instabilidade magmática, mesmo em vulcões sem registo de erupções em tempos recentes. O alerta thrown pelos cientistas é claro: períodos prolongados de silêncio superficial não significam necessariamente ausência de atividade interna. As autoridades responsáveis pelo monitoramento de riscos vulcânicos deberán incorporar essa nova perspectiva em suas estratégias de avaliação de perigos geológicos.

Este estudo representa um avanço significativo na compreensão dos processos vulcânicos e oferece uma nova perspectiva sobre a classificação de vulcões aparentemente extintos. A possibilidade de que sistemas vulcânicos permaneçam activos em profundidade por períodos muito mais longos do que se imaginava exige uma reavaliação dos protocolos de monitoramento e das estimativas de risco em diversas regiões do planeta.

Fonte: https://olhardigital.com.br

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