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Lei cripto nos EUA avança, mas riscos macroeconômicos ameaçam rally do Bitcoin

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O mercado de criptomoedas viveu uma semana de contrastes nos Estados Unidos. Enquanto o Comitê Bancário do Senado aprovou um projeto de lei histórico para dar mais clareza regulatória ao setor, fatores macroeconômicos voltaram a castigar o humor dos investidores. O Bitcoin, que chegou a ser cotado acima de US$ 82 mil após a aprovação da chamada Lei Clarity, voltou a operar abaixo de US$ 77 mil, pressionado pela volta de preocupações com juros, inflação e aversão ao risco.

A Lei Clarity e sua importância para o mercado cripto

Na semana passada, o Comitê Bancário do Senado dos EUA aprovou, em votação bipartidária, o Digital Asset Market Clarity Act, conhecido como Lei Clarity. A proposta estabelece regras mais transparentes para o setor de ativos digitais, definindo a divisão de competências entre reguladores como a SEC e a CFTC. O texto também clarifies when certain crypto assets should be classified as securities or commodities, criando um marco regulatório federal histórico para o mercado de criptomoedas no país.

A reação inicial do mercado foi favorável. A aprovação no comitê impulsionou ações de empresas do setor, como a Coinbase, e concedeu fôlego temporário ao Bitcoin. Contudo, o otimismo durou pouco. Según destaque do CoinDesk, os investidores rapidamente voltaram atenção para o cenário macroeconômico, fazendo com que os ganhos fossem diluídos em questão de dias.

Volatilidade nos títulos públicos americanos

O primeiro fator de preocupação surge do mercado de Treasuries, os títulos públicos dos Estados Unidos que servem como referência global para taxas de juros, colateral e precificação de riscos financeiros em todo o mundo.

O índice ICE BofA MOVE, que mede a volatilidade esperada nos títulos do Tesouro americano, disparou para 79,87 pontos na sexta-feira, saltando de 69,63 pontos no dia anterior, segundo dados do Yahoo Finance. Esse movimento é particularmente relevante porque, quando o ativo considerado mais seguro do mundo começa a oscilar de forma acentuada, investidores tendem a reduzir posições em ativos mais arriscados, incluindo ações de tecnologia e criptomoedas.

A pressão também se manifesta na curva de juros. Em análise, a QCP Capital revelou que os rendimentos dos Treasuries voltaram a alcançar novas máximas, com a taxa de 10 anos em 4,62% e a de 30 anos em 5,14%. Juros mais elevados diminuem o apelo relativo de ativos que não geram fluxo de caixa, como o Bitcoin, e elevam o custo de capital em toda a economia.

O risco japonês: o iene e as operações de carry trade

O segundo risco vem do mercado de câmbio do Japão. O dólar voltou a ser negociado na faixa de 158 a 159 ienes, aproximando-se do patamar psicológico de 160 ienes por dólar. Este nível é monitorado de perto pelos participantes do mercado, pois pode aumentar a probabilidade de intervenção do Banco do Japão para frear a desvalorização da moeda japonesa.

A dinâmica cambial representa um perigo direto para ativos de risco, uma vez que o iene é uma das principais moedas utilizadas em operações de carry trade. Nesse tipo de estratégia, investidores tomam recursos emprestados em uma moeda de juros baixos, como o iene, para aplicar em ativos de maior retorno em outros mercados. Caso o Banco do Japão intervenha e o iene se valorize rapidamente, essas operações podem ser desfeitas de maneira abrupta, retirando liquidez global e pressionando ativos mais voláteis.

A QCP Capital advertiu que posições carregadas em iene poderiam começar a ser liquidadas de forma brusca caso o câmbio se aproxime ainda mais da faixa de intervenção.

Petrol e a tensão no Oriente Médio

O terceiro ponto de pressão vem do mercado de petróleo. A escalada das tensões envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz elevou os preços do Brent e do WTI para acima de US$ 100 por barril, reacendendo temores de inflação global. O Brent alcançou US$ 112, enquanto o WTI subiu para US$ 107, em meio a preocupações com a oferta de petróleo e com a interrupção de fluxos por uma das rotas energéticas mais importantes do mundo.

A situação tornou-se ainda mais sensível após Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, alertar que os estoques comerciais de petróleo estão sendo consumidos rapidamente devido à guerra envolvendo o Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz. Segundo ele, os estoques comerciais restantes poderiam durar apenas algumas semanas, embora reservas estratégicas estejam ajudando a complementar a oferta global.

O cenário desafiador para o Bitcoin

Para o Bitcoin, a combinação desses fatores cria um ambiente particularmente difícil. De um lado, o avanço da Lei Clarity reforça a tese de amadurecimento institucional do setor de criptomoedas nos Estados Unidos, ao oferecer um caminho mais claro para empresas, investidores e reguladores. De outro lado, a alta dos juros, a instabilidade no câmbio japonês e o choque no petróleo apontam para um aperto das condições financeiras, inflação mais persistente e menor disposição para risco.

Enquanto o marco regulatório avança no Congresso americano, os investidores em criptomoedas precisam navegar um cenário macro hostil, onde o otimismo com a legislação precisa competir com a realidade de condições monetárias mais restritivas e incertezas geopolíticas.

Fonte: https://portaldobitcoin.uol.com.br

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