A Meta anunciou uma nova estratégia para permitir que chatbots de inteligência artificial de empresas concorrentes funcionem dentro do WhatsApp na Europa. A medida surge em meio a uma intensa pressão regulatória da União Europeia, que investiga possíveis abusos de poder de mercado por parte da gigante de tecnologia.
Detalhes da proposta oferecida pela Meta
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a empresa propôs oferecer acesso gratuito limitado para que concorrentes como a OpenAI integrem seus assistente de IA ao WhatsApp. O plano estabelece que a cobrança pelo serviço só começaria após o volume de mensagens enviadas atingir um limite predefinido. A estratégia visa precisamente atender às exigências dos reguladores antitruste europeus, que avaliam emitir uma ordem interina para forçar a abertura do aplicativo de mensagens.
Histórico de políticas restritivas da empresa
A trajetória da Meta com relação ao WhatsApp passou por diversas mudanças nos últimos meses. Em janeiro, a empresa adotou uma política altamente restritiva que liberava apenas a própria Meta AI no aplicativo. Em março, a empresa alterou a regra para passar a cobrar uma taxa das concorrentes que desejassem operar dentro da plataforma. A mudança gerou imediata contestação por parte da União Europeia, forçando a big tech a suspender as cobranças temporariamente por um mês, enquanto tentava negociar um acordo focado na interface do aplicativo de mensagens.
A posição dos reguladores europeus
A Comissão Europeia, embora tenha se recusado a comentar os detalhes específicos da proposta, deixou claro que sua prioridade máxima é garantir que o mercado de assistentes de IA permaneça aberto e competitivo para todos os inovadores. O órgão regulador enfatizou que a oferta atual da Meta deve servir apenas como base para iniciar conversas e esclarecimentos entre as partes envolvidas. O prazo para que as partes interessadas enviassem comentários ao regulador terminou na segunda-feira (18), marcando uma etapa importante no processo de avaliação.
Rejeição dos concorrentes menores
Apesar dos esforços da Meta para atender às exigências regulatórias, concorrentes de menor porte demonstraram forte rejeição à proposta. A The Interaction Company, desenvolvedora californiana responsável pelo assistente Poke.com, criticou duramente a iniciativa. A empresa afirmou que a proposta está longe de resolver qualquer uma das preocupações de concorrência identificadas no caso e instou a Comissão a prosseguir com medidas provisórias caso a Meta não apresente uma proposta genuinamente construtiva.
Críticas da startup francesa Agentik
A startup francesa Agentik também formalizou queixas contra o plano, apontando uma falta de isonomia no modelo comercial proposto. Segundo Jeremy Andre, fundador da empresa, a oferta discrimina os rivais, pois não se aplicaria à própria IA da Meta. Essa distinção reforça as suspeitas de práticas anticompetitivas por parte dos reguladores. É importante destacar que dados de infraestrutura técnica revelam que o chatbot de IA nativo da Meta funciona sem utilizar a API do WhatsApp Business, o que representa uma vantagem competitiva adicional sobre os concorrentes.
Fonte: https://olhardigital.com.br