O Bitcoin acentuou as perdas e encerrou abaixo do patamar de US$ 70 mil nesta terça-feira (2), em um cenário de forte aversão ao risco no mercado de criptoativos. A principal criptomoeda do mundo registrava queda de 4,3%, cotada a US$ 69.451, após um dia marcado por notícias que agravaram o sentimento negativo dos investidores.
Tensões geopolíticas agitam o mercado
O Irã suspendeu ontem as negociações com os Estados Unidos em protesto contra a ofensiva militar de Israel no Líbano, intensificando a incerteza geopolítica na região do Oriente Médio. A decisão iraniana provocou ondas de choque nos mercados globais, com os investidores buscando ativos considerados mais seguros em meio ao aumento das tensões.
Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha afirmdo que as negociações com a República Islâmica do Irã continuavam em ritmo acelerado, a CNN noticiou que o mandatário americano teve uma discussão acalorada com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sobre os planos de Israel na região. O estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial, tornou-se foco de preocupações entre os investidores.
A venda de bitcoins pela Strategy
Para piorar o cenário, a Strategy, empresa criada por Michael Saylor e uma das maiores detentoras corporativas de bitcoins do mundo, realizou sua primeira venda do ativo desde dezembro de 2022. Entre os dias 26 e 31 de maio, a companhia alienou 32 bitcoins a um preço médio de US$ 77.135 cada, levantando aproximadamente US$ 2,5 milhões para financiar a distribuição de ações preferenciais.
Embora a quantidade de bitcoins vendida tenha sido relativamente pequena, analistas destacaram que o gesto sinaliza ao mercado que até mesmo uma das empresas de tesouraria de bitcoins mais importantes do mundo enfrenta pressões decorrentes da queda nos preços das criptomoedas. Jeff Mei, COO da BTSE, observou que a venda, apesar de modesta em escala, enviou uma mensagem significativa aos investidores.
Análise do mercado e perspectiva dos especialistas
Dominick John, analista da Zeus Research, explicou que as criptomoedas sofreram com o aumento das tensões entre EUA e Irã, desencadeando uma onda de aversão ao risco. "Os investidores se desfizeram de ativos de alto beta em meio a temores de instabilidade no Estreito de Ormuz", afirmou ao site The Block.
André Franco, CEO da Boost Research, chamou atenção para o fato de que o Bitcoin atingiu suas mínimas em dois meses, demonstrando "perda clara de força relativa" mesmo em um ambiente ainda sustentado pela narrativa de inteligência artificial. "A cautela geopolítica, a queda das bolsas asiáticas e a busca por proteção em ouro reduziram o apetite por criptoativos", avaliou.
Jeff Ko, analista-chefe da CoinEx, completou a análise destacando que o tamanho da venda da Strategy foi relativamente trivial, mas "o sinal ao mercado não foi". Segundo ele, "a quebra psicológica dessa narrativa afetou duramente a confiança dos investidores de varejo e adicionou uma camada negativa a um mercado já fragilizado".
Desempenho das principais criptomoedas
No Brasil, a cotação do Bitcoin era negociada a R$ 349.362, segundo dados do Portal do Bitcoin. Entre as principais altcoins, o Ethereum apresentava recuo mais moderada, de 0,4%, sendo cotado a US$ 1.974. O XRP caía 3%, enquanto a Solana registrava baixa de 1,9% e a BNB recuava 3,4%.
O mercado de criptoativos seguem em território bearish no curto prazo, com investidores monitorando de perto os desdobramentos das negociações entre EUA e Irã, além do comportamento das políticas monetárias globais. A combinação de fatores geopolíticos e a pressão vendedora corporativa mantêm o setor em alerta.
