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Relatório revela que América Latina movimentou US$ 1,5 trilhão em criptomoedas nos últimos três anos

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Relatório mostra diferentes motivos entre países latinos sobre adoção de stablecoins. Fonte: X. — Fonte: Livecoins
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Um estudo lançado pela empresa Rain nesta sexta-feira demonstra que a América Latina já processou impressionantes US$ 1,5 trilhão em transações de criptomoedas ao longo dos últimos três anos. O documento destaca que a maior parte dessas operações foi realizada por meio de stablecoins lastreadas em dólar, evidenciando uma tendência crescente na região.

A pesquisa identifica três fatores principais que impulsionam essa adoção massiva: a instabilidade cambial enfrentada por diversos países latino-americanos, as elevadas taxas cobradas pelo sistema financeiro tradicional nas transferências internacionais, e o acesso limitado a serviços bancários que atinge milhões de pessoas na região.

De acordo com o relatório, aproximadamente 57,5 milhões de latino-americanos possuem criptomoedas, o que representa uma adoção de 12% em relação à população total da região. As stablecoins têm se destacado como solução para problemas de inflação, custos elevados e morosidade nas remessas internacionais, além de proporcionar acesso facilitado ao dólar americano.

O primeiro pilar dessa adoção é a busca por proteção contra a hiperinflação. O peso argentino, por exemplo, perdeu 99% de seu valor frente ao dólar nas últimas décadas. Na Bolívia, o governo quase zerou as reservas de dólares, causando impactos até mesmo na importação de combustíveis.

O segundo fator refere-se aos altos custos das transações internacionais. O estudo aponta que as stablecoins podem reduzir as taxas de transferência em até 92% comparado aos serviços tradicionais, além de acelerar significativamente o tempo de compensação.

Por fim, o terceiro motivador é a exclusão financeira. Segundo o relatório, 122 milhões de latino-americanos não possuem conta bancária, sendo que 47% dos mexicanos e 43% dos colombianos estão nessa situação.

No caso específico do Brasil, o cenário apresenta diferenças importantes. O país não enfrenta hiperinflação desde a implementação do Plano Real em 1994 e conta com 93% da população utilizando o Pix. Por isso, a adoção de stablecoins no Brasil está associada principalmente a atividades comerciais, como importação, exportação e serviços remotos.

O relatório destaca que o Brasil possui o maior e mais estruturado mercado de stablecoins da América Latina, com essas moedas digitais representando aproximadamente 90% do volume total de transações de criptomoedas no país. A disponibilidade do Pix, que registrou crescimento de 53% no volume de pagamentos em 2024, criou uma base favorable para a integração com stablecoins.

A regulação brasileira também merece destaque, tanto para prestadores de serviços de ativos virtuais quanto para a classificação de transferências internacionais com stablecoins como operações de câmbio. Entretanto, o estudo alerta para um possível aumento do IOF sobre essas operações, o que poderia reduzir a vantagem competitiva dessa tecnologia.

Fonte: Livecoins

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