Uma nova plataforma de encontros e amizade direcionada a homens gay está gerando polêmica após investigações revelarem que sua estratégia de marketing pode estar baseada em perfis fictícios criados por inteligência artificial. O aplicativo Goose, apresentado como uma alternativa ao Grindr para quem busca relacionamentos mais sérios, está sendo questionado após diversas contas promocionais serem identificadas como geradas por IA.
O aplicativo permite convites exclusivos e utiliza o slogan "para os rapazes", permitindo que usuários "conheçam rapazes através da vida que você já tem", de acordo com seu website. A plataforma foi criada pelo modelo e influenciador Derek Chadwick junto com David Aliagas, ex-gerente de crescimento e comunidade do BeReal.
A investigação identificou que diversas contas no Instagram promovendo o Goose apresentam características suspeitas. Perfis como @miles.sumrall e @danielmmulugeta foram criados em maio de 2026, possuem menos de dez publicações e uma alta proporção de seguidores em relação a quem seguem. Detectores de IA identificaram com mais de 90% de confiança que os avatares desses perfis foram criados por inteligência artificial. Verificações no SynthID do Google Gemini confirmaram que as fotos de perfil foram geradas pela IA do Google.
Ryan Cheam, executivo de contas em marketing e relações públicas, contou que recebeu uma mensagem direta de um perfil chamado @alistaircrombbie convidando-o para participar de uma "rede curated de rapazes" no Goose. "Achei que era apenas um cara gay comum", declarou Cheam à publicação. Após análise, a foto de perfil de Alistair também foi identificada como gerada por IA.
A equipe de investigação identificou mais de duas dezenas de contas similares, todas criadas entre maio e junho de 2026, com poucas publicações e que frequentemente interagem entre si com os mesmos emojis de coração e fogo. Essas contas adicionavam potenciais membros às suas histórias de Close Friends ou enviavam mensagens diretas convidando-os para o aplicativo.
Dalton Bauer, profissional de marketing, recebeu um convite de @lucalepkowski com linguagem idêntica à recebida por Cheam. "Esta é a primeira vez que vejo isso no Instagram nesta escala", declarou Bauer. "Acho que alguém precisa esclarecer isso, pois é nebuloso e enganoso."
O aplicativo alcançou o quarto lugar na categoria de downloads gratuitos de estilo de vida na App Store quando foi lançado, e atualmente está em trigésimo terceiro lugar globalmente nessa categoria.
Questionado sobre a polêmica, o advogado Rob Freund, especializado em publicidade e comércio eletrônico, explicou que a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos tem diretrizes que proíbem publicidade enganosa, incluindo marcas usando IA para se passar por pessoas reais. Nova York recentemente aprovou uma lei exigindo que anunciantes divulguem se seu conteúdo é gerado por IA, com multas iniciais de mil dólares para quem descumprir.
"Se você está criando contas falsas para pessoas que promovem um produto e explicitamente criando várias contas falsas que parecem ser usuários de um produto ou serviço para chamar atenção ou vender esse produto, essa atividade é claramente ilegal sob as diretrizes da FTC", afirmou Freund, destacando que isso se aplica independentemente de o aplicativo ser gratuito.
O Meta, proprietário do Instagram, exige que usuários rotulem conteúdo gerado por IA, mas a natureza privada das campanhas via mensagens diretas e Close Friends pode dificultar a fiscalização.
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