O mercado global de computadores pessoais registrou uma queda de quase cinco por cento no segundo trimestre deste ano, totalizando sessenta e oito milhões e duzentas mil unidades comercializadas. É a primeira vez em dois anos que o setor apresenta declínio, interrompendo uma sequência de nove trimestres consecutivos de crescimento.
A retração teve início no final de dois mil e vinte e cinco, período em que a escassez global de memória passou de um incômodo para uma crise generalizada. A falta de chips de memória, impulsionada pela demanda crescente de inteligência artificial, não deve ser resolvida antes de dois mil e vinte oito, segundo projectiones da International Data Corporation.
Porém, existe um paradoxo neste cenário. Embora o volume de vendas tenha caído, as receitas dos fabricantes de PCs continuam em alta. De acordo com Jitesh Ubrani, pesquisador da IDC, as empresas estão conseguindo repassar os aumentos de preço mais rapidamente do que a queda na demanda. "A história real está na desconexão entre unidades e faturamento: as remessas estão caindo, mas a receita sobe", explicou.
O dirigente ainda alertou para um declínio ainda mais acentuado ainda este ano, quando os estoques atuais começarem a se esgotar e os consumidores enfrentarem novos aumentos de preço. Isso pode comprometer significativamente o ciclo habitual de atualização dos computadores pessoais.
Enquanto a maioria das empresas sofrem com o cenário, a Apple se destaca como exceção positiva. A fabricante conseguiu aumentar suas remessas de PCs precisamente por causa do sucesso do MacBook Neo. No trimestre atual, a empresa enviou oitocentos mil computadores a mais em comparação com o mesmo período de dois mil e vinte cinco, elevando sua participação de mercado de oito vírgula cinco por cento para quase dez por cento.
Mesmo assim, a Apple não está imune aos efeitos da crise de memória. O modelo de entrada do MacBook subiu de seiscentos para setecentos dólares. Já o Air de entrada agora custa um mil e trezentos dólares. O diretor-executivo Tim Cook declarou recently que a empresa precisa que os preços e o fornecimento de memória retornem a níveis razoáveis para produtos de consumo.
Paralelamente, a Apple reportou ter sessenta e oito bilhões e meio de dólares em caixa neste trimestre, representando um aumento de quarenta e um por cento em relação ao ano anterior. A empresa atualmente está avaliada em mais de quatro trilhões e seiscentos bilhões de dólares.
