Em um movimento que contrária a tendência do mercado de venture capital, a Greylock Ventures, uma das firmas mais tradicionais do Vale do Silício, decidiu conscientemente não explorar todo o potencial de captação de seu novo fundo. A empresa, que completa 61 anos de história, anunciou na terça-feira a captação de US$ 1,5 bilhão para seu 18º fundo de investimento, um valor 50% superior aos US$ 1 bilhão levantados em 2023.
O parceiro Saam Motamedi revelou à publicação que a firma poderia facilmente ter levantado "um múltiplo" desse valor, mas optou pela restrição como estratégia. "Nossa missão é ser o parceiro mais importante para os empreendedores mais importantes", declarou Motamedi, destacando a filosofia da casa.
A Greylock se orgulha de apresentar suas empresas do portfólio a engenheiros de topo e clientes potenciais, como fez com a Baseten, startup de infraestrutura de inteligência artificial avaliada em US$ 13 bilhões, após investimento inicial na Series A em 2022. No entanto, Motamedi afirma que esse nível de suporte só é possível mantendo um número reduzido de empresas investidas.
Com dez parceiros fazendo apenas um ou dois investimentos por ano, a expectativa é de aproximadamente 25 empresas neste fundo. O foco permanece na incubação de empresas nos estágios iniciais e liderança de rodadas seed e Series A, área onde a firma construiu sua reputação, destacando-se pelo nascimento de gigantes como Palo Alto Networks, que surgiu nas instalações da Greylock há 21 anos, e a Abnormal, incubada em 2018 e avaliada em US$ 5,1 bilhões.
Ainda assim, a firma não se limita a negócios em estágio inicial. O fundo também investe em empresas de alto potencial em estágios mais avançados, mesmo que "tenha perdido no início". O 17º fundo incluiu três apostas em estágio de crescimento: Anthropic, Revolut e Wiz. O primeiro investimento na Anthropic ocorreu quando a empresa de inteligência artificial levantou sua Series F com avaliação de US$ 183 bilhões. "É o maior investimento na história da firma", afirmou Motamedi.
O parceiro estima que cerca de 15% do novo fundo será destinado a startups em estágio avançado, mas garante que a Greylock permanece fundamentalmente um investidor em estágio inicial. Como prova, Motamedi mencionou que nas reuniões semanais de segunda-feira para revisar o pipeline de investimentos, a agenda consiste principalmente em nomes de pessoas, não de empresas. "Estamos conhecendo pessoas mesmo antes de elas fundarem uma empresa. É realmente uma aposta na pessoa. Frequentemente a empresa nem existe ainda."
Fonte: TechCrunch
