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Grupo por trás de ‘2000 Mules’ lança novo documentário com teorias conspiratórias sobre eleições

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A organização True the Vote, famosa por produzir o documentário debunkado 2000 Mules que alegava fraude nas eleições de 2020, está preparando um novo filme com teorias conspiratórias sobre o sistema eleitoral norte-americano. O grupo está trabalhando em parceria com o pastor Lorenzo Sewell, da cidade de Detroit, para lançar um documentário intitulado Trap, que significa "armadilha" em inglês.

O novo filme pretende revisitar as alegações de fraude eleitoral que já foram rejeitadas em múltiplas instâncias judiciais. O documentário deve repetir claims apresentadas em um processo judicial movido em 2024 pelo ativista político de Detroit, Ramon Jackson. Na ação, Jackson afirmava que funcionários eleitorais democratas, incluindo a secretária de estado de Michigan, Jocelyn Benson, e a clerk de Detroit, Janice Winfrey, teriam organizado um esquema para registrar antigos moradores da cidade e votar em suas vagas.

O processo foi arquivado pelos tribunais por falta de legitimidade e ausência de evidências suficientes. Após a visita de Donald Trump à igreja de Sewell em junho de 2024, como parte de uma estratégia para conquistar eleitores negros, o pastor decidiu colaborar com Jackson para continuar difundindo essas alegações.

Sewell declarou sem apresentar provas que existe um padrão no país onde democratas votam em nome de pessoas negras pobres sem o conhecimento delas. Ele acredita que o mesmo esquema estaria acontecendo em outras cidades com grandes populações negras de baixa renda, como Atlanta, Baltimore, St. Louis, Nova Orleans e Filadélfia. O pastor afirmou possuir um sistema capaz de detectar fraude em qualquer eleição, embora tenha reconhecido não ter evidências concretas para sustentar suas afirmações.

O pastor também enviou à redação imagens de envelopes de votação contendo nomes que ele considera não ser reais. Foram apresentados até agora dez affidavits de eleitores que alegam ter seus endereços ou identidades usados fraudulentamente em eleições recentes. A equipe de jornalismo não conseguiu verificar independentemente as alegações desses documentos.

Em uma newsletter enviada aos apoiadores na semana passada, a cofundadora Catherine Engelbrecht mencionou a gravação de um documentário em Detroit. Seu colega Gregg Phillips, que já afirmou ter se teletransportado para uma casa de waflles e foi recentemente removido de seu cargo na FEMA, também mencionou o documentário em suas redes sociais, comparando o novo trabalho ao anterior.

Especialistas em eleições expressaram preocupação com o potencial impacto do novo documentário. Segundo David Becker, diretor do Centro de Inovação e Pesquisa Eleitoral e ex-advogado sênior da seção de votação do Departamento de Justiça, as eleições de 2020 foram as mais analisadas da história mundial, tornando quaisquer alegações apresentadas seis anos depois claramente falsas e projetadas para fazer as pessoas duvidarem de resultados eleitorais que os realizadores não aprovam.

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