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A batalha pela regulamentação dos táxis autônomos em Washington

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Image Credits:Kirsten Korosec — Fonte: TechCrunch
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O cenário da mobilidade urbana nos Estados Unidos vive um novo capítulo de tensão entre gigantes do setor. Na capital americana, o Conselho Municipal de Washington avalia um projeto de lei que autorizaria a operação de veículos autônomos nas vias públicas, e duas das maiores empresas do ramo já se posicionaram em trincheiras opostas.

A Uber, que se opõe à proposta, tem utilizado um argumento bastante peculiar em sua tentativa de influenciar a legislação. Segundo a empresa, o texto como está permitiria que a Waymo conquistasse um monopólio de fato no mercado local, além de prejudicar os motoristas humanos de aplicativos de transporte. Como alternativa, a companhia defende a criação de um sistema híbrido, no qual os carros autônomos seriam obrigados a operar exclusivamente por meio de plataformas de corrida sob demanda, dividindo espaço com condutores profissionais.

Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que essa proposta híbrida tem poucas chances de se tornar lei. Caso vingasse, porém, obrigaria desenvolvedoras como a Waymo a escolher entre duas opções desfavoráveis: disponibilizar seus veículos em aplicativos como o da própria Uber, ou manter equipes de motoristas humanos operando ao lado de frotas de carros autônomos que demandaram anos de desenvolvimento e investimentos de centenas de milhões de dólares.

Uma audiência pública realizada na segunda-feira reuniu representantes da Lyft, Tesla, Uber e Waymo, além de dezenas de ativistas pelos direitos de pessoas com deficiência, associações empresariais locais, entidades de segurança viária, servidores públicos, sindicatos de trabalhadores e grupos de pesquisa. A percepção geral, com base nos depoimentos e nas reações posteriores, é que a Waymo é uma das poucas empresas favoráveis ao projeto. O restante do setor manifestou objeções.

A assessora sênior de políticas da Tesla, Índia Herdman, reforçou críticas já apresentadas por outras desenvolvedoras de veículos autônomos. Entre os principais pontos de divergência estão a exigência de 180 dias e 250 mil milhas de testes obrigatórios, a taxa de inscrição de um milhão de dólares, a licença de cinco milhões e a cobrança de 15 centavos de dólar por milha percorrida. A Tesla, ao lado de outras companhias, defende que os quilômetros rodados em outras jurisdições sejam contabilizados para o cumprimento dessa meta.

Vale destacar que a Waymo, que já realiza testes com operadores de segurança humana em Washington, ultrapassou tanto os 180 dias quanto as 250 mil milhas exigidas. Isso significa que, se a lei for aprovada nos termos atuais, a empresa entraria no mercado com uma vantagem de pelo menos seis meses sobre as concorrentes.

No campo das movimentações empresariais, a Uber confirmou uma operação de 14,8 bilhões de dólares para adquirir a Delivery Hero, sediada na Alemanha. Com o negócio, sujeito ainda a aprovações regulatórias, a companhia passa a atuar em cerca de cem mercados espalhados por Europa, Oriente Médio, América Latina e Ásia, dobrando sua presença global no segmento de entregas. Paralelamente, a Delivery Hero acordou a venda de suas operações em 14 mercados onde a Uber Eats já atua para a firma de investimentos nova-iorquina SSW Partners, por 1,6 bilhão de dólares.

Outras rodadas de investimento chamaram atenção no período. A startup Self Inspection, baseada em San Diego, levantou dez milhões de dólares com uma rodada liderada pelo escritório familiar de Sheryl Sandberg. A distribuidora de pneus U.S. AutoForce e a financeira automotiva Westlake Financial fizeram aportes estratégicos, com participação também dos fundos Costanoa Ventures, Rebellion Ventures e BrightCap Ventures. Já a Senra, startup que moderniza a produção de chicotes elétricos, captou 65 milhões de dólares em uma rodada série B co-liderada por Lowercarbon e Interlagos, com a participação de General Catalyst, Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Founders Fund, entre outros. Enquanto isso, a empresa indiana de entregas rápidas Zepto busca uma avaliação em sua oferta inicial de ações bem abaixo dos sete bilhões de dólares que já atingiu no passado, segundo fontes ouvidas pela agência Bloomberg.

Em outros destaques do setor, a startup Chip Motors, com sede em Miami, apresentou um veículo elétrico compacto de baixa velocidade, voltado para deslocamentos curtos e famílias, com algumas capacidades de condução automatizada. A Polícia de Los Angeles teria encerrado seu contrato com a Flock Safety, empresa de vigilância que auxilia forças de segurança no rastreamento de veículos por meio de milhares de câmeras de leitura de placas espalhadas pelo país. A Lucid Motors reagiu com firmeza a um relatório que sugeria que a fabricante de veículos elétricos considerava entrar com pedido de recuperação judicial: a empresa, por meio de sua equipe de comunicação, seu diretor-executivo e um registro na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, classificou os rumores como falsos. Na época da publicação, as ações da companhia despencaram mais de 50% em um único pregão, o maior prejuízo diário de sua história, mas desde então se recuperaram e agora operam cerca de 28% acima do patamar anterior ao tombo.

O diretor-presidente da Lyft, David Risher, descreveu sua empresa como o "bom Uber" em entrevista recente. Dados preliminares do governo norte-americano revelam que apenas 0,6% dos veículos novos fabricados para o mercado americano em 2025 contavam com câmbio manual, sinalizando o desaparecimento gradual dessa opção. O órgão federal de investigação de acidentes de transporte concluiu que o motorista de um Tesla que invadiu uma residência em junho acelerou o pedal até o limite, sobrepondo-se ao sistema de pilotagem automatizada da montadora. O prefeito de São Francisco, Daniel Lurie, pediu aos reguladores estaduais que endureçam as regras para veículos autônomos depois que táxis robôs da Waymo ficaram imobilizados em meio ao tráfego intenso do feriado de 4 de julho, com baterias descarregadas bloqueando vias importantes da cidade. A SpaceX abortou de forma inesperada a segunda tentativa de lançamento de sua versão atualizada do foguete Starship, instantes após a ignição do propulsor em sua base no sul do Texas. Por fim, a Zoox emitiu um recall de software após um de seus veículos autônomos se confundir com a fumaça emitida por um incêndio em uma cena de emergência no mês de junho.

Fonte: TechCrunch

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