A principal moeda digital do mercado voltou a chamar atenção na manhã desta terça-feira (21) ao romper a marca de US$ 66,500, atingindo o maior valor desde o dia 15 de junho. A valorização acontece em meio a movimentações políticas nos Estados Unidos que reacenderam as esperanças do setor cripto em relação ao Clarity Act, proposta legislativa que busca estabelecer regras mais claras para o mercado de ativos digitais no país.
De acordo com informações que circulam nos bastidores de Washington, o projeto teria ganhado novo fôlego após um encontro do presidente Donald Trump com parlamentares no Salão Oval. A reunião teria como objetivo discutir um pacote de medidas de ética, atendendo a antigas solicitações do Partido Democrata para destravar a tramitação da matéria.
O pesquisador e empresário brasileiro João Paulo Mayall destacou, ao longo desta semana, que o texto do Clarity Act define o Bitcoin como uma commodity digital. Na prática, isso abriria caminho para que instituições financeiras norte-americanas operem com a moeda virtual com maior segurança jurídica, ampliando a participação do mercado tradicional.
Apesar do cenário animador, os números da plataforma de apostas Polymarket revelam que a confiança dos investidores ainda oscila bastante. No começo de maio, as chances de aprovação do projeto em 2026 chegavam a 74%. Esse índice despencou para apenas 32% na sexta-feira passada (17), mas voltou a subir nesta terça, alcançando 44% — sinal de que o otimismo retornou ao mercado após os últimos desdobramentos.
Nas redes sociais, a jornalista Eleanor Terrett afirmou, na noite de segunda-feira (20), que teria havido um acerto entre os envolvidos regarding um conjunto de normas de ética ligadas ao Clarity Act. Segundo ela, o texto já teria sido encaminhado a republicanos do Senado. A medida, se confirmada, pode destravar a divulgação de uma versão atualizada do projeto nos próximos dias.
Entre os pontos previstos no pacote estão possíveis restrições para evitar que políticos lucrem diretamente com o mercado de criptomoedas. A discussão ganhou força após Trump admitir, no início do mês, ter obtido cerca de US$ 1,4 bilhão em ganhos com criptoativos ao longo de 2025.
A senadora Cynthia Lummis também se manifestou publicamente em defesa da proposta, argumentando que a nova legislação garantiria mais proteção aos investidores. Ela lembrou casos como os da Celsius e da Voyager, cujas falências fizeram com que os depósitos dos clientes fossem incorporados à massa falida, deixando os usuários sem acesso aos seus próprios ativos. Para a parlamentar, o Clarity Act corrigiria essa distorção.
O bom desempenho recente do Bitcoin também é destaque. Depois de acumular queda de 20,5% em junho — o pior resultado em 48 meses —, a moeda registra alta de 13,9% apenas em julho, sinalizando uma possível reversão de tendência. Com a cotação acima dos US$ 66,500, o ativo atinge seu maior patamar em 36 dias.
Além das questões regulatórias, os investidores permanecem atentos a outros fatores que podem influenciar o preço da moeda digital nos próximos meses, como os conflitos no Oriente Médio, a situação no Estreito de Ormuz e a cotação do petróleo. Indicadores de inflação e as expectativas em torno da taxa de juros norte-americana também terão papel decisivo no rumo do mercado cripto no médio prazo. A movimentação reforça a estreita ligação entre o Bitcoin e a economia dos Estados Unidos, maior potência econômica mundial e um dos polos mais relevantes do setor de ativos digitais.
Fonte: Livecoins
