Enquanto a Microsoft atravessa uma das fases mais turbulentas de sua divisão de jogos, um antigo responsável pela série Forza Horizon aponta o dedo para o principal vilão da história: o serviço de assinatura Game Pass. Em conversa com o canal MinnMax, Mike Brown, que comandou a direção criativa do elogiado Forza Horizon 5 antes de deixar a desenvolvedora Playground Games para criar seu próprio estúdio, a Maverick Games, revelou sua análise sobre o momento atual da marca Xbox.
Brown, que atualmente trabalha no desenvolvimento de Clutch, um jogo de corrida em mundo aberto, afirmou que as demissões em massa, os fechamentos de estúdios e os cancelamentos de projetos são consequência direta da incapacidade do Game Pass de alcançar o número de assinantes necessário para justificar os investimentos bilionários da empresa. "Investiram uma fortuna no conceito do Game Pass como serviço, o que levou à aquisição de muitas equipes, ao financiamento de muitos jogos e à criação de muitos empregos. A realidade é que não houve assinantes suficientes pagando os valores necessários para tornar esse modelo viável", explicou o desenvolvedor.
A CEO do Xbox, Asha Sharma, já eliminou 1.600 postos de trabalho e pretende desligar mais 1.600 funcionários ao longo do atual ano fiscal. Quatro estúdios já dejaron a Microsoft, com um quinto prestes a seguir o mesmo caminho. Sharma classificou a medida como a reestruturação mais significativa da história da divisão de jogos da Microsoft, admitindo publicamente que o setor "não está saudável".
O executivo também defendeu a Microsoft e o conceito do Game Pass, destacando que muitos jogos interessantes só puderam ser produzidos por causa do serviço de assinatura. "O conceito do Game Pass era bom. É uma boa ideia criar uma assinatura acessível e tentar levar jogos a mais pessoas. Infelizmente, não foi o que aconteceu", completou Brown.
Os números corroboram a análise. A Microsoft esperava cerca de 77 milhões de assinaturas neste ano, mas o serviço conta com apenas aproximadamente 30 milhões. A meta inicial era alcançar 100 milhões de assinantes até 2030, um objetivo que parece cada vez mais distante. A aquisição da Activision Blizzard por aproximadamente 69 bilhões de dólares, que incluiu a franchise Call of Duty, foi feita com a expectativa de impulsionar o Game Pass, mas segundo Brown, o serviço nunca atingiu o patamar que justificaria tal investimento.
Dados financeiros mostram que, em julho de 2025, a receita do Xbox Game Pass alcançou pela primeira vez a marca de quase 5 bilhões de dólares, mas isso não foi suficiente para equilibrar os custos operacionais. A própria Sharma reconheceu que o Game Pass não cresceu conforme as expectativas, afirmando que a empresa operava com margens de 3 a 10 vezes inferiores às de concorrentes do setor.
Uma das primeiras decisões de Sharma ao substituir o antigo chefe do Xbox, Phil Spencer, foi reduzir o preço do Game Pass e remover Call of Duty da lista de lançamentos disponíveis no dia da estreia. Recentemente, a executiva afirmou que o serviço conseguiu se reestruturar após um declínio de oito meses e voltou a crescer, mas o futuro permanece incerto.
Fonte: IGN Brasil
