Os aportes bilionários em inteligência artificial não param de crescer em todo o mundo, porém a infraestrutura necessária para sustentar essa expansão enfrenta entraves cada vez mais desafiadores. A indisponibilidade de energia e a resistência de comunidades locais já ocupam o lugar de critérios antes decisivos, como a cobertura de fibra óptica e os incentivos fiscais, como principais gargalos do setor.
O custo de postergar esses empreendimentos é elevado. Um atraso de doze meses em um centro de processamento de 100 megawatts dedicado à inteligência artificial pode acarretar mais de 1 bilhão de dólares em receitas adiadas ou perdidas para desenvolvedores de modelos de IA, além de 235 milhões de dólares em receita de aluguel não realizada para operadores de infraestrutura compartilhada.
De acordo com um estudo recente da Accenture, o formato convencional de pedidos transacionais de energia elétrica tornou-se obsoleto. A pesquisa apresenta um novo roteiro composto por quatro frentes de atuação, com o objetivo de acelerar a energização de projetos e mitigar os riscos inerentes ao desenvolvimento.
A primeira frente preconiza que a escolha dos locais privilegie a capacidade ociosa da rede elétrica e a presença de instalações reaproveitáveis, em vez de se basear exclusivamente no custo do terreno ou em benefícios tributários. A segunda enfatiza a importância de conquistar a confiança da população vizinha, por meio de Acordos de Benefícios Comunitários que tratem previamente de questões como tarifas, consumo de água e impacto sonoro.
A terceira recomendação aponta para uma gestão mais flexível: combinar fontes de energia, investir em sistemas de armazenamento e coordenar a alocação das cargas de trabalho para evitar que capacidade instalada permaneça sem uso. Por último, a quarta frente sugere substituir solicitações rígidas de capacidade por parcerias mais dinâmicas com as concessionárias, iniciativa capaz de encurtar em três a cinco anos o tempo de espera pela conexão definitiva à rede.
Fonte: DCD
