A OpenAI finalmente entrou no mercado de hardware com o Micro, um pequeno painel de teclas desenvolvido em parceria com a empresa especializada Work Louder. O dispositivo, que funciona integrado ao ChatGPT, chegou ao mercado com proposta ousada: atrair enthusiasts de tecnologia enquanto deixa o usuário comum um tanto perplexo.
O lançamento não veio sem controvérsias. Há algumas semanas, a Apple moveu uma ação judicial contra a startup de inteligência artificial, acusando-a de roubo de segredos comerciais. Esse embate jurídico promete se arrastar por bastante tempo. Paralelamente, surgiram informações sobre outro produto smart home em desenvolvimento na OpenAI, supostamente criado por ex-engenheiros da Apple, o que levantou sobrancelhas no setor.
Enquanto os conflitos legais não são resolvidos e os planos mais amplos de hardware da empresa não se concretizam, o Micro representa a principal oferta da empresa nesse segmento. Trata-se de um acessório peculiar, claramente projetado para agradar os desenvolvedores de software.
A primeira impressão ao manusear o dispositivo é de robustez. O teclado é sólido o suficiente para servir como peso de papel caso a experiência de acessório de IA não dê certo. Outro detalhe que chama atenção é a embalagem: uma caixa branca imaculada, com estética limpa e minimalista, claramente inspirada em designs populares.
O layout do painel conta com seis teclas de "agente" na parte superior, que podem ser personalizadas para executar tarefas específicas dentro do ChatGPT ou da ferramenta de codificação Codex. Abaixo delas, seis teclas de comando permitem controlar esses programas. A conexão com o computador pode ser feita via Bluetooth ou cabo USB.
Uma das funcionalidades mais práticas é o botão de ditado por voz. Basta segurar o botão e falar o que deseja; o sistema executa a tarefa em seguida. Ao terminar, o botão de envio transmite o pedido. A personalização é feita diretamente no ChatGPT, através de uma aba específica onde é possível ajustar desde a luminosidade das teclas até os comandos e projetos associados a cada uma.
Os programadores, que teoricamente são o público-alvo do dispositivo, não pareceram muito animados. As avaliações no Reddit foram majoritariamente negativas. Um usuário chamou o produto de "pegadinha e não um produto real", enquanto outros afirmaram que programadores sérios não vão utilizá-lo. Uma crítica do site Aftermath foi ainda mais ácida, questionando se o preço de 230 dólares se justifica diante de alternativas mais acessíveis disponíveis no mercado.
Há uma curva de aprendizado necessária para dominar o Micro. As teclas possuem codificação por cores: branco indica que o agente está ocioso, azul significa que está processando, verde sinaliza tarefa concluída e vermelho indica erro. O usuário precisa memorizar essas indicações, além de lembrar quais projetos estão associados a cada tecla.
Após entender a programação, a experiência pode ser divertida. É possível atribuir diferentes sessões do ChatGPT a teclas específicas, facilitando a navegação entre projetos. Combinado com o botão de ditado, o sistema torna-se mais eficiente e agradável.
A grande questão é se o Micro realmente facilita o trabalho em comparação com o uso direto do computador. Por que passar uma semana aprendendo a programar um acessório quando já se sabe usar o mouse e o teclado tradicionais?
A resposta depende muito da frequência de uso do ChatGPT. Para quem não utiliza ferramentas de IA regularmente, provavelmente o dispositivo não faz sentido. No entanto, para usuários avançados do ChatGPT que possuem 230 dólares disponíveis e apreciam hardware vintage com teclas clicantes, o Micro pode ser uma aquisição interessante.
Fonte: TechCrunch
