No segundo minuto e meio da faixa que abre e dá nome ao disco Heaven Come Crashing, da compositora e produtora Rachika Nayar, uma batida colossal de graves e percussão explode de forma completamente inesperada. Para quem acompanha o trabalho da artista desde o álbum de estreia Our Hands Against The Dusk, o momento provoca verdadeiro espanto: aquele primeiro registro não contava com nenhum tipo de instrumento percussivo, apostando exclusivamente em camadas sonoras etéreas. A mesma sobriedade rítmica se repete na maior parte de Heaven Come Crashing, onde quase todas as faixas prescindem totalmente de batidas.
Há, contudo, exceções pontuais que pontuam o percurso do disco. Na segunda faixa, Tetramorph, surgem pratos mecânicos em cadência acelerada. Já na metade final da sexta música, Gayatri, percebe-se o que parece ser um caixa de bateria enterrado nas camadas mais profundas da mixagem. É somente na sétima faixa, porém, que Nayar entrega a aguardada erupção rítmica, para logo em seguida recolher-se à atmosfera envolvente e acolhedora de Sleepless.
A construção puramente instrumental do álbum revela uma artista capaz de trabalhar a tensão e o alívio sonoro com precisão cirúrgica. Heaven Come Crashing se consolida como uma obra de proporções épicas, traduzindo um sentimento de anseio desesperado por meio de texturas densas, melodias hipnóticas e momentos de catarse cuidadosamente posicionados ao longo de sua curta duração.
Fonte: The Verge
