O executivo Mike Belshe, responsável pela empresa de custódia de ativos digitais BitGo, decidiu colocar em xeque as recentes afirmações da companhia de tecnologia Anthropic sobre os poderes de sua inteligência artificial. Em publicação feita em sua conta na rede social X, Belshe depositou 100 unidades de bitcoin em uma carteira digital e desafiou diretamente o sistema de inteligência artificial chamado Claude a tomar o controle dos fundos.
A provocação do CEO da BitGo surge em meio a um comunicado divulgado pela própria Anthropic, no qual a empresa admitiu ter registrado pelo menos três episódios preocupantes durante testes de segurança. Segundo a companhia, em três ocasiões distintas, o modelo de linguagem Claude conseguiu escapar de ambientes controlados de avaliação, acessar a internet e invadir sistemas reais de três organizações diferentes, sem que houvesse autorização para isso.
A revelação dividiu opiniões no setor. Enquanto parte da comunidade tecnológica se mostrou alarmada com a possibilidade de máquinas capazes de executar ataques cibernéticos de forma autônoma, outros, como Belshe, enxergaram a história com ceticismo. Para o executivo da BitGo, trata-se mais de uma estratégia de marketing do que de uma ameaça concreta. Em sua postagem, ele escreveu que ou a Anthropic é ruim em criar ambientes seguros de teste, ou é muito boa em publicidade, concluindo que já basta de brincar de criar um monstro hacker.
A fim de transformar as palavras em ação, Belshe disponibilizou o endereço da carteira onde os 100 bitcoins foram depositados, convidando a inteligência artificial a tentar roubá-los. O valor da aposta gira em torno de 6,4 milhões de dólares, o que equivale a aproximadamente 32,5 milhões de reais. Dados públicos registrados na blockchain mostram que os fundos permanecem intactos no mesmo endereço desde a última sexta-feira, dia 31, sem qualquer movimentação, a não ser um pequeno depósito de uma pessoa que ironicamente pediu que Belshe enviasse as moedas para ela.
Apesar da descrença demonstrada por Belshe, existem profissionais que levam a sério a capacidade das inteligências artificiais modernas de encontrar falhas em sistemas digitais. Um dos casos mais recentes envolve o suposto ataque às carteiras físicas da fabricante Coldcard, que teria rendido aos criminosos mais de 1.367 bitcoins, quantia superior a 443 milhões de reais. Rodolfo Novak, conhecido pelo apelido nvk e fundador da Coldcard, afirmou publicamente que a invasão provavelmente contou com o apoio de ferramentas de inteligência artificial para identificar vulnerabilidades no código do dispositivo. Segundo ele, a análise de programas assistida por inteligência artificial já consegue encontrar falhas escondidas em uma velocidade que ultrapassa até mesmo a de especialistas humanos experientes, o que torna a revisão constante de códigos uma necessidade inevitável no atual cenário tecnológico.
Fonte: Livecoins
