Nos últimos dias, um volume expressivo de aproximadamente 14 mil bitcoins foi transferido para corretoras de criptomoedas. O movimento coincide com a crise de segurança que afetou as carteiras da Coldcard, dispositivo que teve cerca de 87 milhões de dólares em moedas digitais subtraídos por hackers. Mesmo assim, o Bitcoin permanece sem grandes oscilações, sendo negociado na faixa dos 63.800 dólares.
Esse cenário sugere que os investidores não pretendem se desfazer de seus ativos. Pelo contrário, a transferência para as plataformas de negociação parece ser uma medida preventiva, motivada pelas dúvidas em torno da custódia pessoal de moedas digitais.
De acordo com dados levantados pela CryptoQuant, o volume de bitcoins depositados em corretoras atingiu o maior patamar dos últimos trinta dias. O crescimento começou a ser registrado nas primeiras horas após o primeiro ataque às carteiras da Coldcard, divulgado na quinta-feira passada.
Sani, responsável pela TimechainIndex, publicou em sua rede social que mais de 10 mil bitcoins foram enviados para corretoras em um intervalo de 33 horas, reforçando a magnitude do movimento.
Apesar do aumento significativo nos depósitos, o preço da principal moeda digital não sofreu quedas relevantes. Especialistas costumam interpretar essa métrica como um indicador da intenção de venda, mas o comportamento recente aponta para outro caminho: os titulares estariam apenas buscando ambientes mais seguros para guardar seus fundos, incluindo não apenas clientes da Coldcard, mas também usuários de outras carteiras preocupados com a situação.
Changpeng Zhao, criador da Binance, se manifestou sobre o episódio e destacou os perigos envolvidos na custódia pessoal. Segundo ele, quando uma falha de segurança é descoberta, os desenvolvedores conseguem corrigi-la, mas isso não resolve o problema das carteiras que já foram geradas. Além disso, não há como localizar usuários que utilizam dispositivos totalmente isolados da internet, conhecidos como air-gapped. Zhao afirmou acreditar na autocustódia, mas lembrou que ela transfere toda a responsabilidade para o próprio investidor.
Um levantamento da Galaxy Research revelou que os criminosos atuaram em três ondas distintas. Na primeira etapa, 1.195 endereços foram esvaziados, seguidos por 1.478 na segunda e 1.912 na terceira. Ao todo, 4.585 endereços foram afetados, o que corresponde a aproximadamente 4.500 investidores, com um prejuízo total de 1.367 bitcoins.
Mesmo diante de mais esse acontecimento adverso, o mercado de Bitcoin demonstra resiliência, mantendo-se estável e atravessando o momento sem grandes turbulências em sua cotação.
Fonte: Livecoins
