Uma operação conjunta deflagrada nesta quinta-feira (13) mobilizou a Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal no combate a um suposto esquema de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. A ação, denominada Operação Arena, teve como alvo um grupo empresarial que utilizava uma complexa estrutura societária e financeira para dar aparência de legitimidade a operações relacionadas a jogos de azar.
Segundo as investigações, os suspeitos teriam recurrido a empresas no exterior para justificar volumosas transferências de recursos para outros países. A Receita Federal destaca, contudo, que não foram encontradas evidências de que essas empresas estrangeiras exerçam atividades econômicas compatíveis com os valores supostamente movimentados.
As autoridades conseguigram identificar um sofisticado mecanismo que envolvia empresas nacionais e internacionais, instituições de pagamento, operações cambiais, ativos digitais e outras estruturas financeiras, tudo estruturado para obscurecer a procedência e o destino do dinheiro. Os valores apostados pelos clientes passavam por instituições de pagamento e seguiam aos verdadeiros beneficiários através de diversos caminhos, incluindo conversão em stablecoin USDT, remessas por corretoras de câmbio em paraísos fiscais e distribuição de dividendos por empresas do grupo.
Ao final desse processo, os recursos eram direcionados para a compra de bens de luxo e para o pagamento de taxas de outorga ao governo. A Justiça ordenou o bloqueio de bens e valores estimados em aproximadamente R$ 1 bilhão, quantia vinculada aos crimes sob investigação.
A Receita Federal empregou 40 auditores-fiscais e analistas tributários na apuração, responsáveis por identificar e reunir elementos probatórios. As autoridades chegaram a elaborar um infográfico para ilustrar a amplitude do suposto esquema delituoso.
Ao todo, 17 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversas cidades: João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca, na Paraíba; Aracaju, em Sergipe; São Paulo, no estado homônimo; Rio de Janeiro e Niterói, no Rio de Janeiro; e Curitiba, no Paraná.
Entre os inúmerosos investigados está o advogado Nelson Wilians, que possui mais de 1,4 milhão de seguidores em redes sociais. Imagens divulgadas pela Receita Federal mostram que sua residência foi um dos alvos da operação, revelando veículos de alto padrão, como uma Ferrari F90, obras de arte e outros artigos de luxo. Wilians é considerado pelas autoridades como o principal operador financeiro do grupo.
Fonte: Livecoins

