Há aproximadamente uma década, a empresa americana SpaceX começou a realizar pousos regulares dos primeiros estágios do foguete Falcon 9, marcando o início de uma revolução na indústria espacial. Somente nos últimos cinco anos, no entanto, essa tecnologia amadureceu a ponto de permitir voos dezenas e centenas de vezes por ano, transformando completamente a dinâmica do setor de lançamentos orbitais.
Como consequência direta dessa mudança, a SpaceX passou a ser responsável por mais de três quartos de toda a massa enviada ao espaço. Grande parte desse volume consiste nos satélites da constelação Starlink, mas a empresa também atende a clientes variados, incluindo concorrentes diretos como Amazon, Northrop Grumman, AST Space Mobile e OneWeb, que dependem dos serviços da empresa americana devido aos custos competitivos e à escassez de alternativas viáveis.
Estudos recentes começam a dimensionar o impacto causado pela introdução do Falcon 9, pela adoção da tecnologia de reutilização de foguetes e pela alta frequência de lançamentos. De acordo com especialistas em políticas espaciais, a Europa se encontra em uma situação delicada, sem opções robustas para competir com os preços e a eficiência alcançados pela empresa americana. O mercado global de lançamentos espaciais foi profundamente reconfigurado, e o continente europeu enfrenta agora o desafio de desenvolver capacidades próprias ou aceitar uma dependência crescente de provedores externos.
Fonte: Ars Technica

