Os mecanismos de busca tradicionais foram criados pensando no ser humano, que nem sempre dispõe de tempo ou paciência para percorrer páginas inteiras. Porém, à medida que mais pessoas passam a utilizar assistentes virtuais para pesquisar na internet e realizar tarefas, surge a necessidade de modernizar a infraestrutura da rede para atender às máquinas. Foi com essa visão que Andrey Styskin, ex-diretor das divisões de busca, inteligência artificial e computação em nuvem do gigante russo Yandex, e o cientista alemão Matthias Petri decidiram fundar a Keenable.
A startup acabou de sair do modo sigiloso após captar 26 milhões de dólares em financiamento seed. A rodada foi liderada pela empresa de venture capital Accel, com participação da Conviction Partners e de investidores-anjo. Styskin explica que os chatbots de inteligência artificial apresentam desempenho significativamente superior quando conseguem fundamentar suas respostas em documentos originais. "Isso cria um novo ciclo virtuoso, completamente diferente daquele que o Google desenvolveu com base no comportamento humano", declarou ele à publicação.
A Keenable informa estar construindo um índice de busca com mais de 100 bilhões de documentos da internet. A interface de programação da empresa já está em uso em diversos laboratórios de inteligência artificial e fornecedores de inferência, tanto durante o treinamento quanto na execução dos modelos. A startup não revelou a identidade de seus clientes, mas recentemente fechou parceria com a empresa Gradium, especializada em inteligência artificial para voz, para suportar a recuperação de informações em tempo real.
Com duas décadas de experiência construindo sistemas de busca no Yandex e na Amazon, Styskin destaca que o produto da Keenable se diferencia das soluções corporativas tradicionais, que se tornam impraticáveis e extremamente onerosas quando expandidas para a escala da internet. "Se você não ajusta a estrutura do seu índice para uma tarefa específica, o custo para processar e varrer toda a rede é absurdo devido ao volume. Por isso, é preciso inovar na forma de reduzir o espaço de busca com base na consulta de forma rápida. É exatamente isso que oferecemos", completou.
Segundo Zhenya Loginov, sócio da Accel que liderou o investimento, as empresas de inteligência artificial têm pouquíssimas opções quando o assunto é infraestrutura de busca na escala da web, especialmente após o Google e a Microsoft começarem a restringir o acesso às suas interfaces de programação para evitar o canibalismo de seus próprios negócios. Ambas as gigantes optam por abordagens mais integradas e são seletivas em relação aos parceiros.
Styskin conta que essas decisões reforçaram a oportunidade que ele identificou enquanto trabalhava na Amazon, onde colaborou com Petri no desenvolvimento de infraestrutura de busca para aplicações como a assistente Alexa. Dados da Cloudflare indicavam que os robôs de inteligência artificial já representavam uma parcela crescente do volume de buscas, despertando a consciência de que havia espaço para criar infraestrutura de busca construída especialmente para máquinas.
A empresa também desenvolve capacidades proprietárias de recuperação de informações, incluindo um produto chamado WebQueryLanguage, que ayudará os sistemas de inteligência artificial a responder perguntas combinando dados de diversas fontes da web, mesmo quando nenhuma delas contém a resposta completa isoladamente.
Quanto aos custos, Styskin reconhece que são expressivos. "Não pergunte — é dolorosamente caro", afirmou. Ainda assim, a startup trabalha para controlar gastos e definir um ritmo sustentável de crescimento. Com uma equipe de 15 engenheiros distribuídos entre os Estados Unidos e a Europa, o plano é dobrar o número de funcionários até o final do ano para acelerar a estratégia de mercado.
Outros concorrentes já atuam no segmento, como as empresas Brave e Exa, além do próprio Google, que está reformulando sua experiência de busca para a era da inteligência artificial. Ainda há um longo caminho até que a Keenable alcance seu objetivo de se tornar "o próximo Google para agentes de inteligência artificial", mas o movimento broader do mercado indica que a convicção da startup também é compartilhada pelo Googleplex: a era dos "dez links azuis" pode estar chegando ao fim, seja para humanos ou para máquinas.
Fonte: TechCrunch

