As criptomoedas estáveis nos cartões de pagamento já fazem parte da rotina de milhões de pessoas ao redor do mundo. O volume de gastos monitorados através desses plásticos vinculados a ativos digitais ultrapasso a marca de US$ 1,04 bilhão em julho, representando um crescimento de mais de três vezes em relação ao mesmo período do ano anterior. As moedas digitais lastreadas responderam pela praticamente totalidade das operações realizadas.
Dados compilados pela Paymentscan, referência no setor de pagamentos, e divulgados pela gigante de investimentos a16z, registraram mais de 10 milhões de transações apenas no mês de julho. O valor médio de cada operação saiu de US$ 59 para US$ 86, evidenciando uma adoção cada vez mais ampla. Apenas naquele mês, o volume mensal chegou a impressionantes US$ 306 milhões.
A moeda digital USD Coin dominou o financiamento dos cartões, concentrando 50,8% do volume total em julho, um avanço frente aos aproximadamente 48% do ano anterior. Em segundo lugar ficou a Tether, que saltou de cerca de 7% em julho de 2024 para 20,3% no mesmo mês deste ano. Juntas, as duas respondem por mais de 70% de todas as transações monitoradas. Em sentido contrário, alternativas lastreadas em euro praticamente perderam relevância: a stablecoin EURe, que chegava a representar 88% dos gastos no início de 2024, despencou para menos de 2% até julho.
A mecânica por trás desses cartões permite que os usuários mantenham saldo em moedas digitais e realizem pagamentos através de redes tradicionais como a Visa ou a Mastercard. No momento da transação, o valor é convertido automaticamente para a moeda local, sem que os comerciantes precisem receber criptomoedas diretamente. A Visa informou em junho manter mais de 160 programas de cartões associados a moedas digitais ativos ou em desenvolvimento ao redor do globo.
A StraitsX, empresa parceira da Visa especializada em infraestrutura de cartões de criptoativos, revelou que o volume de transações em sua plataforma multiplicou-se por 40 entre o último trimestre de 2024 e o primeiro trimestre de 2025. O mercado monitorado permanece concentrado em poucas plataformas: a RedotPay respondeu por US$ 395,1 milhões do total de julho, seguida pela EtherFi com US$ 100,3 milhões e pela KAST com US$ 89,6 milhões. Somente essas três representam cerca de 77% de todo o mercado.
Os números da RedotPay são autodeclarados, sem verificação direta na blockchain, mas a empresa informou que sua base de clientes expandiu-se mais de 33% em seis meses, ultrapassando a marca de 8 milhões de usuários. O executivo-chefe da EtherFi, Mike Silagadze, esclareceu ao CoinDesk que os US$ 100,3 milhões referem-se exclusivamente ao volume de compras com cartão, não incluindo aproximadamente US$ 30 milhões em transferências de moedas tradicionais.
A América Latina apresenta alguns dos padrões mais eloquentes de uso cotidiano. A plataforma Oobit revelou que usuários ativos brasileiros gastam em média cerca de US$ 400 mensais através de 20 operações por mês, com compras em supermercados respondendo por 35% de toda a atividade regional. Na Argentina, o setor de alimentação representou 41% das transações, e impressionantes 72% dos pagamentos foram realizados com a stablecoin USDT.
Eduardo Prota, diretor da Oobit para o Brasil e responsável pela operação latino-americana, explicou que as moedas digitais estáveis cumprem simultaneamente duas funções essenciais. "Elas ajudam as pessoas a preservar valor e, na sequência, permitem que utilizem esse mesmo saldo para despesas cotidianas", completou.
A exchange Binance reportou crescimento expressivo no Brasil, com o número médio de usuários do seu cartão aumentando 53% entre o trimestre de lançamento e o segundo trimestre de 2026. O valor médio gasto subiu 80% no mesmo intervalo. Transporte por aplicativo, delivery de comida, compras em supermercados, restaurantes e assinaturas digitais foram as categorias prioritárias. A Binance também disponibiliza o cartão na Argentina.
A Kraken comunicou que seu Krak Card registrou crescimento expressivo nos pagamentos semanais, que mais que dobraram em um ano, alcançando 8,3 operações por usuário. Compras em varejo e lojas físicas responderam por 59,3% dos gastos totais. A StraitsX observou avanço de aproximadamente 600% no valor bruto das transações em mercados de menor produto interno bruto entre março de 2025 e fevereiro de 2026, contra 150% nos mercados de maior PIB, com alimentação e varejo como categorias dominantes.
Na Coinbase, a moeda digital USDC respondeu por cerca de 16% do volume combinado de transações de cartões de crédito e débito. Titulares do cartão Coinbase One gastaram em média US$ 3.000 por mês, valor que engloba compras financiadas com USDC, outros criptoativos e transferências bancárias. Esse número contrasta com os US$ 20 bilhões em USDC custodiados nos produtos da Coinbase, crescimento de 44% em um ano, revelando uma disparidade significativa entre o que os usuários mantêm guardado e o que efetivamente gastam através dos plásticos.
Representantes da Coinbase afirmaram que as stablecoins consolidam-se progressivamente como a infraestrutura de pagamentos da era digital. "Elas estão se tornando a infraestrutura de pagamentos da internet, e isso se reflete cada vez mais em todo o nosso conjunto de produtos", declarou um porta-voz da empresa.
Fonte: Livecoins

