A cada poucos anos, o aquecimento das águas do Pacífico equatorial provoca mudanças drásticas nas chuvas tropicais, causa secas na Oceania, alaga regiões do Peru e transforma o clima em grande parte do planeta. Esse mecanismo, conhecido como Oscilação Sul, alterna entre fases quente e fria e representa a principal fonte de variação climática interanual na Terra. Seus efeitos se somam ao aumento gradual das temperaturas causado pelo aquecimento global.
Durante décadas, os cientistas questionavam se o aquecimento das águas e da atmosfera estava intensificando esses ciclos. A comunidade científica havia observado eventos excepcionais nas últimas décadas do século vinte e início do atual, mas não dispunha de dados suficientes para determinar quão raros eles realmente eram.
Uma equipe liderada pela cientista ambiental Julie Cole, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, decidiu investigar essa questão. Os pesquisadores reconstruíram um registro milenar das temperaturas da superfície do oceano Pacífico, analisando corais fossilizados encontrados no arquipélago de Galápagos, no Pacífico. Essa abordagem permitiu ampliar enormemente o horizonte temporal dos dados disponíveis.
Os resultados confirmaram o que muitos temiam: os eventos climáticos atuais são genuinamente sem precedentes em pelo menos mil anos. O estudo demonstrou que a energia adicional armazenada nos oceanos e na atmosfera está, de fato, amplificando as oscilações térmicas. A pesquisa oferece evidências robustas de que o aquecimento global não apenas eleva as temperaturas médias, mas também intensifica os extremos climáticos.
Fonte: Ars Technica

